quarta-feira, 25 de maio de 2016

Educar criança de 0 a 3 anos exige sensibilidade e delicadeza

Educar criança de 0 a 3 anos exige sensibilidade e delicadeza
Nestes tempos de aceleração, onde a ansiedade está cada vez mais presente no mundo dos adultos e, consequentemente, atropelando de frente o ritmo orgânico da criança pequena, é preciso refletir sobre o que fazer para modificar este quadro. Afinal, esta fase dos três primeiros anos, conhecida como primeiríssima infância, é fundamental para o desenvolvimento global harmonioso do ser humano.
O contato com a criança pequena precisa ser delicado e ao mesmo tempo atencioso. Por meio de uma observação cuidadosa, é possível perceber algumas reações aos cuidados, mesmo em bebês muito pequenos. São sinais sutis perceptíveis por meio de movimentos corporais, crispações da pele, expressões do rosto, expressões sonoras, que trazem informações de como o bebê está recebendo os cuidados e, mais do que isso, de que forma ele consegue participar destes momentos. Além de muita calma é preciso fazer pausas na ação de cuidar, para que estas reações apareçam.
Segundo a médica húngara Emmi Pikler, que desenvolveu uma abordagem específica para a educação de crianças de 0 a 3 anos, os momentos de cuidar são excelentes oportunidades para a construção do vínculo afetivo. Para que isso ocorra, as tarefas de cuidar não podem ser realizadas de maneira rápida e mecânica, ao contrário do que acontece em muitos espaços coletivos de bebês.  A constância nos cuidados, assim como a regularidade de tempo e espaço criam o clima de confiança necessário para que a criança sinta segurança e possa participar desta relação e aproveitar a experiência.
Os estímulos táteis são acompanhados de falas com voz suave, explicando de forma clara e simples o que está se passando e antecipando o que vai acontecer a seguir. Quando o adulto educador fala sobre a parte do corpo que está sendo tocada, ajuda o bebê a construir seu esquema corporal, que é a experiência imediata da unidade dos segmentos do corpo e a posição que se ocupa no espaço. O esquema corporal é resultado da organização cognitiva e afetiva de cada pessoa e é construído e reconstruído pelas contínuas alterações da posição do corpo no espaço.
Emmi Pikler e sua equipe ensinam, também, a importância de realizar gestos delicados, não interromper uma atividade de cuidado, considerar as necessidades individuais e reagir a cada manifestação das crianças. As diferentes sequências de cada atividade de atenção pessoal se realizam sempre de forma igual, como uma “coreografia dos cuidados”, mas o fato do adulto se manter sempre presente na atividade impede que o ato se torne mecânico.
Uma criança cuidada desta forma se sente segura e confiante no adulto e pode se aventurar a brincar de forma livre, explorando objetos com diferentes qualidades táteis e exercendo os movimentos necessários para seu desenvolvimento neuropsicomotor.
Fases do brincar
Segundo a Abordagem Pikler, as crianças pequenas que brincam de forma espontânea passam por fases distintas. Ainda no berço, a criança brinca com o próprio corpo: mãos, pés e a própria voz.  Ao armazenar sensações e informações colhidas na exploração do espaço e dos brinquedos, a criança constrói as bases necessárias para o desenvolvimento da capacidade de pensar. E assim, ela aprende a aprender.
A abordagem Pikler recomenda que o bebê seja colocado sempre de barriga para cima, em uma superfície firme, posição que favorece os movimentos corporais.
Olhar ao redor
O bebê explora visualmente o ambiente ao seu redor. Com isso, fortalece a musculatura do pescoço e organiza os movimentos da cabeça, em função dos estímulos visuais e auditivos que o entorno oferece.
Explorar as próprias mãos
No início, as mãos se movimentam sem controle, desaparecem e voltam a ser visíveis novamente. O fato do bebê perceber que elas podem ser controladas gera interesse e satisfação. Ele passa a pegar um objeto, mas ainda não é capaz de largá-lo. O acaso ainda predomina.
 Alcançar o brinquedo desejado, pegar nas mãos e movê-lo
Nesta fase o bebê já pode exercer a iniciativa de escolher com que objeto brincar.
Usar as duas mãos
A criança passa o brinquedo de uma mão a outra, com simetria e sincronicidade.
Estudar objetos
A criança toca o brinquedo, empurra, balança e observa o efeito que é produzido. Os brinquedos podem escorregar, bater, tremer, rolar, fazer barulhos etc.
Brincar com dois brinquedos simultaneamente
Coloca dois objetos em relação. Observa diferenças, proporção, características, formatos, etc.
Entre 9 e 12 meses a criança tem o impulso de colocar objetos menores dentro dos maiores e perceber o que cabe dentro do que. Ela experimenta e percebe as posições no espaço, tendo as primeiras noções de dentro / fora; em cima / embaixo / ao lado; junto / separado.
Nesta fase ela começa a colecionar objetos com uma atitude “científica”, seguindo o resultado das suas ações, comparando com o resultado imaginado e modificando, se necessário, para encontrar gestos mais efetivos.

Suzana Macedo Soares
Graduada em Comunicação Social pela PUC-SP e pós-graduada pela ECA-USP. É especialista em Educação Infantil pelo Instituto Vera Cruz. Participou do Curso de Formação sobre Emmi Pikler “A importância dos cuidados na Primeira Infância” em 2009 -2010, promovido pela OMEP. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016



Bebê “Tatu Bolinha”: A Importância Do Rolar

O rolar é muito importante para o desenvolvimento do bebê. Representa sua primeira forma de locomoção e é adquirido antes que o sentar.
Deitado de barriga para cima, o bebê movimenta cada vez mais livremente os braços e pernas no ar. Pouco a pouco ele vira a cabeça pra o lado e levanta um ombro do chão, depois o quadril e todo o tronco se vira, ficando deitado de lado.
Um outro caminho possível ocorre quando o bebê eleva as pernas sobre o tronco e, em seguida, elas caem para o lado. O tronco e o restante do corpo acompanham devido à ação das reações de retificação.
O bebê rola para o lado e volta repetidas vezes, desta forma alonga os tecidos moles entre a caixa torácica e a pélvis, trabalha a dissociação do tronco e ativa os músculos abdominais oblíquos para controlar o movimento.
Quando ele consegue estender o quadril, rodando a pélvis sobre o fêmur, completa o rolar deitando sobre o ventre. Assim fortalece ativamente todo o tronco, o que favorece o desenvolvimento de um eixo corpóreo consistente e o prepara para as próximas aquisições.
Portanto, o rolar é uma atividade dinâmica que vai permitir ao bebê mudar de postura sozinho, sendo essencial para percepção do seu próprio corpo e do espaço que o rodeia.
Contudo, para o rolamento acontecer, o bebê precisa passar um tempo deitado sobre uma superfície firme, plana e espaçosa. Cenário este lamentavelmente cada vez mais escasso, devido à difusão da ideia equivocada de que o bebê pequeno fica melhor preso a uma cadeirinha.
Um bebê que desde o início vivencia a liberdade de movimento, já por volta dos 3-4 meses pode iniciar o rolar. Esta fase coincide com o desenvolvimento da capacidade de pegar os objetos. Levado pela progressiva intencionalidade e controle do movimento de suas mãos, o bebê se movimenta, rola e atua sobre o meio ao redor. Cada aquisição começa aos poucos e vai progredindo com a repetição. Por isso, é importante proporcionar um ambiente adequado que favoreça as iniciativas do bebê.

Ft. Leila S. Saita Teixeira
Fisioterapeuta
Co-founder & CKO – UNA Primeira Infância
Co-founder & CEO – PAEDI
Fonte: http://blogs.unaprimeirainfancia.com.br/?p=52


terça-feira, 5 de abril de 2016


MEDIDAS ESSENCIAIS PARA EVITAR A DISSEMINAÇÃO DE VÍRUS, ENTRE OUTROS, DO H1N1.

PROFESSORES, 

- ALTERNAR BRINCADEIRAS EM ÁREAS EXTERNAS, EVITANDO CONFINAMENTO EM SALA/BERÇÁRIO;
- ABRIR AS JANELAS;
- LAVAR AS MÃOS DAS CRIANÇAS DESDE BEBÊS E AS PRÓPRIAS AO CHEGAR NA ESCOLA;
- LAVAR AS MÃOS APÓS CUIDAR DAS CRIANÇAS COM CORIZA, TOSSE E APÓS TODAS AS TROCAS DE FRALDAS E USO DO SANITÁRIO;
- LAVAR AS MÃOS ANTES DAS REFEIÇÕES;
- GARANTIR A HIGIENE DIÁRIA DOS BRINQUEDOS LEVADOS AO ROSTO E A BOCA CONSTANTEMENTE E MANIPULADOS PELAS CRIANÇAS MENORES DE TRÊS ANOS.  

segunda-feira, 28 de março de 2016


DESMAIO EM CRIANÇAS: É NORMAL?


Calor, desidratação e esforço físico podem causar o problema. Saiba o que fazer se isso acontecer com o seu filho

Por Maria Clara Vieira 
Sem motivo aparente, a criança cai desacordada. O susto é inevitável, mas o desespero pode ser controlado se os pais estiverem cientes de que o desmaio nem sempre é indício de algo grave. A perda momentânea de consciência não é uma doença, mas uma reação do corpo a algum fator fisiológico. Pode acontecer em ambientes fechados e nos dias quentes – na hora do banho ou da brincadeira ao sol. Para prevenir, mantenha a criança bem hidratada e alimentada a cada três ou quatro horas e evite locais abafados ou com sol forte.

Que fatores podem provocar desmaio em crianças?

Além do calor, desidratação e esforço físico podem diminuir a pressão arterial, tornando a circulação sanguínea mais lenta. O sangue não irriga adequadamente o cérebro e o corpo responde com a perda de consciência. Permanecer muito tempo em pé ou se levantar repentinamente também interferem na circulação e estão por trás do quadro, assim como a hipoglicemia – queda brusca nos níveis de açúcar no sangue devido ao diabetes ou ao jejum prolongado – e o estresse excessivo.


Que sintomas antecedem a perda de consciência?

A síncope ocorre tão repentinamente que é normal os sinais passarem despercebidos. Mas é possível antever a situação quando a criança se queixa de mal-estar, tontura, visão borrada e sudorese. Pele pálida e mãos frias também alertam para um desmaio iminente. Ao notar esses sintomas, o adulto deve colocar a criança deitada ou sentada, para evitar que caia. Pressionar a cabeça para baixo, entre as pernas, também estimula a circulação na região.


Como agir quando meu filho estiver desacordado?

Corre a crença de que colocar sal embaixo da língua ou sacudir a criança ajuda a despertá-la. No entanto, os médicos garantem que basta esperar alguns segundos até que ela acorde. Enquanto isso, posicione seu filho deitado de lado, para que não engasgue, caso vomite – essa reação é comum em decorrência da náusea que antecede o desmaio. Fora o susto, um episódio breve não traz consequências. Mas vale consultar um pediatra para checar se a saúde está em dia.


Quando o desmaio é motivo de preocupação?

Caso a criança demore mais de um minuto para acordar, leve-a imediatamente ao pronto-socorro, pois pode se tratar de um problema cardíaco, diabetes, ou até anemia. O mesmo vale quando o desmaio sucede uma convulsão. No hospital, os médicos recorrem a exames de sangue e de imagem para identificar os gatilhos do problema. Quando a perda de consciência é demorada e recorrente, ela deve ser investigada por um neurologista, porque pode estar por trás de doenças mais complexas, como a epilepsia. Nessa situação, o desmaio dura até 20 minutos e é seguido de sonolência. Bebês não costumam desmaiar. Se acontecer, é preciso procurar ajuda médica para investigar as causas da crise.

Fontes: Abram Topczewski, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einsten (SP), Victor Horácio e Neuma Kormann, pediatras do Hospital Pequeno Príncipe (PR)



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O PAPEL SOCIAL DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA


Ir para a escolinha brincar? Nada disso! Quando a criança inicia a Educação Infantil, ela está se preparando para o seu ambiente social mais importante depois da sua casa, afinal, a infância é um período importante para aprender e formar o cidadão.
Cleonara Schwartz, professora do programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), reforça o papel da escola no desenvolvimento social e cultural da criança, especialmente porque cria oportunidades de socialização que nem sempre a família tem tempo para executar.
“A escola se coloca como um espaço de ampliação cultural. Os alunos vão a outros ambientes culturais mais pela escola do que pela família. Para muitas crianças, a escola é o único universo social de ampliação cultural. A educação infantil exerce um papel fundamental, ela nunca vai deixar de existir, porque a escola presencial cumpre esse papel de socialização, de ampliação do universo cultural, de aumentar as experiências sociais, culturais e científicas dos alunos”.
O Ministério da Educação também reconhece essa realidade e o papel do educador nesse processo. É por isso que a Lei de Diretrizes e Bases – promulgada há pouco mais de dez anos - reconhece a Educação Infantil como parte da educação básica de qualquer brasileiro e, por isso, exige especialização do educador. Na prática, isso significa que a Educação Infantil tem que ir além da “tia”, das recreações, do Dia das Mães ou dos especiais de Natal. A criança precisa estar em um local com profissionais especializados que promovam rotinas baseadas em propostas pedagógicas muito bem fundamentadas. Lembre-se disso quando for procurar a primeira escola do seu filho.
“A escolha da escola hoje deve passar pelo entendimento da família em relação à proposta pedagógica. É possível ter uma escola pública com uma excelente proposta pedagógica, assim como uma escola particular com uma proposta ruim. Os pais precisam ter em mente que quem faz a mediação do aprendizado é um profissional capacitado. É preciso escolher uma escola que veja o professor como um profissional comprometido e preparado para essa mediação”, explica Cleonara.


Fonte: Folha Vitória 




Endereço:
http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2015/11/o-papel-social-da-educacao-infantil-no-desenvolvimento-da-crianca.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2015


CUIDADOS DE HIGIENE NA CRECHE

Higiene do Nariz
De preferência utilizar lenços descartáveis, pois a prática da higiene nasal evita o surgimento de doenças. Papel higiênico macio também pode ser utilizado. Aproveite para ensiná-las a cuidar de si, disponibilizando lenços de papel quando solicitado por elas, mas supervisione bem estas ações, sem esquecer que, em seguida, é preciso lavar as mãos.


Higiene das Unhas
O corte das unhas das crianças deve ser orientado para que os pais/responsáveis o façam em casa. As unhas grandes acumulam mais sujeiras e facilitam a contaminação da criança, além de possibilitar que ela se arranhe com facilidade.

Higiene Bucal
A higiene da boca dos bebês poder ser iniciada por volta dos 4 meses de idade. Utilizar gaze embebida em água filtrada. Limpar todas as partes da gengiva e da língua. Quando a criança já tiver os dentes da frente (anteriores), a limpeza com gaze poderá continuar da mesma forma, limpando também todas as faces dos dentes. 
É fundamental higienizar os dentes depois das refeições para remover e evitar nova formação da placa de bactérias que provoca a cárie. 
Quando a criança tiver os dentes do fundo (posteriores), inicia-se a limpeza com escova de dente (de cabeça pequena e cerdas macias) e pasta de dente (de preferência sem corante e sem flúor).  Na impossibilidade, usar a quantidade correspondente ao comprimento de um grão de arroz para crianças de até 5 anos. Depois desta idade, o uso está liberado desde que em pequenas quantidades, pois a criança já consegue cuspir e os dentes permanentes anteriores já estão formados. 
Pode-se também realizar a escovação dos dentes das crianças pequenas somente com água limpa, pois a escova removerá e evitará a formação da placa de bactérias.
Fonte: http://nutricaoedieteticahumana.blogspot.com.br/2013/03/higiene-bucal.html

A escovação deve ser feita em todas as faces dos dentes, com movimentos circulares sempre no sentido da gengiva em direção ao dente. Na face de mastigação do dente, o movimento mais indicado é o vai e vem. A língua também precisa ser escovada para retirar a placa que nela também se forma.
Para enxaguar a boca, cada criança deve usar a própria mão ou copo plástico, sob a supervisão e auxílio do professor.
Após a escovação, a escova deve ser bem lavada com água corrente e mantida em lugar limpo e arejado, em porta-escovas individualizados para evitar o crescimento de fungos.
A escova deve ser trocada quando houver necessidade (cerdas desalinhadas) e no início dos períodos escolares.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014


MORDIDAS NA ESCOLA: Entendendo o problema


                                                     

As mordidas são ocorrências comuns em turmas de educação infantil, provocam muita preocupação e ansiedade nos pais, no entanto, elas fazem parte do desenvolvimento normal das crianças até os três anos de idade. Geralmente as mordidas começam a partir do 1 ano de vida.

O que sentem os pais da criança que mordeu?
Sentem-se envergonhados e culpados

O que sentem os pais da criança mordida?
Sentem-se constrangidos, culpados e também agredidos. Normalmente questionam os cuidados que a escola está oferecendo e também os pais da criança que mordeu por não corrigir adequadamente a criança.

Papel da escola na mediação do conflito
A coordenação da escola deve buscar junto aos pais e professores as causas da mordida para intervir na prevenção do problema.

MOTIVOS
Descoberta do próprio corpo
Desde o aparecimento da dentição até por volta dos 2 anos ou 3 anos, as crianças mordem brinquedos, sapatos e até os próprios pais, professores e amigos para descobrir sensações e movimentos. Um dos motivos é a descoberta do próprio corpo. O psicólogo francês Henri Wallon (1879-1962) escreveu que assim a criança constrói seu "eu corporal". “É nessa fase, em que ela testa os limites do próprio corpo, onde o dela acaba e começa o da outra pessoa”.

Fase oral
Segundo o austríaco Sigmund Freud (1856-1939), a fase oral compreende o período em que a criança sente necessidade de levar à boca tudo o que estiver ao seu alcance, pois o prazer vital ou a sua libido está na cavidade oral e nos lábios.

Morder para conhecer
As crianças mordem para conhecer. O que está em volta da criança é objeto de seu interesse e ela quer conhecer, tocar, sentir o cheiro, saber se é mole ou duro, quente ou frio, se rasga, quebra, e é pela boca que ela vai experimentar essas consistências e sensações. Morder passa a ser uma forma de interagir com o mundo, perceber os objetos e também provocar reações. Também utiliza a boca para rejeitar ou aceitar alimentos, se comunicar, sorrir, chorar, balbuciar.  

Prazer pela boca
O primeiro contato da criança com o mundo acontece pela boca, quando busca o seio materno e sente prazer em saciar sua fome. Quando morde um amigo descobre novas sensações de prazer, como em ver o susto, a reação, o choro do colega.

Necessidade de se comunicar
Como a criança ainda não domina a linguagem verbal a mordida é utilizada para expressar descontentamento e irritação ou para disputar a atenção ou objetos com os amigos.
Com o tempo, conforme a criança vai aprendendo a se comunicar melhor através da linguagem, começa a trocar as mordidas pelas palavras, conseguindo aos poucos, organizar e expressar seus sentimentos e insatisfações de outra forma.

Quando entra uma criança nova no grupo
A criança pode ter sentimentos de insegurança, medo de perder a atenção da professora ou ciúmes da criança que está chegando por receber da professora mais atenção e cuidados especiais. Como ainda não consegue expressar os seus sentimentos por meio de palavras, manifesta a sua insegurança e ciúmes mordendo a criança nova.

Brincadeira dos pais dando pequenas mordidas para manifestar carinho
São formas erradas de demonstrar carinho que podem confundir a crianças, que reportam para outras crianças as mesmas brincadeiras, porém podendo machucá-las, já que ainda não possuem domínio da força da mandíbula. Essas atitudes das famílias, apesar de trazerem sentimentos positivos, podem causar agressividade na criança que ainda não controla seus impulsos e não sabe distinguir o certo e o errado.

Separação dos pais
A separação dos pais ou brigas presenciadas pela criança geram desconforto e insegurança. Sem poder falar, os dentes viram um recurso de expressão.

Desejos não atendidos
Nessa fase, a criança ainda está acostumada a ter seus desejos atendidos prontamente, sendo comum demonstrar sua insatisfação, por meio de mordidas, enquanto não aprende a falar direito.

Disputas de brinquedos
Cada criança tem seu modo de reagir diante do que sente e do que acontece ao seu redor. Nas disputas por brinquedos, algumas choram, esperando que um adulto ajude, outras reagem mais intensamente, batendo ou mordendo.

Lidar com a ansiedade
Morder também pode ser uma maneira da criança lidar com sua ansiedade, já que ainda não consegue organizar e compreender direito suas emoções, ela descarrega os ciúmes, a insegurança na mordida.

Situações estressantes, festas
Em festas com grande número de pessoas, a criança pode morder por ansiedade ou insegurança, descarrego de excitação ou agitação.

Chegada de um irmãozinho
Sentimentos de ciúmes e insegurança pela chegada de um irmãozinho podem ser causa de mordidas.

Mudança de casa
A criança sente dificuldade em assimilar novos ambientes, precisa de um tempo para se adaptar e sentir-se segura.

Filho único
O filho único pode ser mais possessivo, egoísta e menos tolerante. Como ainda não domina a linguagem verbal para expressar os seus sentimentos, tende a utilizar a mordida.

Mudança da posição passiva para a ativa
A criança que é mordida pode reagir querendo morder também.

Rotina da escola
Rigor no planejamento sistemático de atividades, falta de tempo livre para o desenvolvimento de atividades motoras e lúdicas ou falha na supervisão das crianças.

COMO TRATAR A CRIANÇA QUE MORDE
O professor deve ajudar tanto a criança que morde como a que foi mordida. É preciso ter calma, conversar com a criança agressora, mostrar que a mordida dói e que o amiguinho ficou triste e machucado. Explicar que ninguém gosta de sentir dor. Ser firme e não brigar com a criança.

Identificar as razões da mordida
Para evitar a instalação da agressividade no grupo, perguntar por que mordeu o coleguinha, se a criança não souber responder, oferecer algumas opções. Identificar o contexto em que ocorrem as mordidas para estimular a substituição da mordida pela argumentação verbal. Não isolar a criança, estimular a convivência saudável e mostrar outras formas de comunicação. Ficar mais atento com as crianças para reduzir as mordidas e situações de agressividade.

Oferecer outras formas de comunicação
Quando a criança morde o amiguinho querendo o mesmo brinquedo, o professor deve entrar com o recurso da palavra dizendo que essa não é a melhor forma de conseguir o brinquedo, apresentando outro brinquedo ou uma atividade para que a criança se interesse e perceba que há outros caminhos para lidar com ansiedades, angústias, excitações. Estimular formas verbais de resolução do conflito. Desenvolver atividades de expressão de linguagens – gestos, danças, músicas, pinturas, brincadeiras livres, etc. Aumentar o tempo para o brincar.

Não taxar a criança de mordedora
A expectativa de que a criança volte a morder, pode realmente levar a mais mordida.

Fazer um trabalho preventivo
As professoras devem também realizar um trabalho preventivo, organizar o ambiente e redobrar a atenção sobre as crianças para evitar novas ocorrências que levem a criança a se machucar, agredir ou ser agredida por um colega. Manter sempre um professor ou adulto próximo das crianças, pois elas se desorganizam muito rápido quando se percebem sozinhas.

O que não fazer com a criança que morde
Dar bronca na frente de todo mundo pode deixá-la mais nervosa e talvez mais agressiva. Não fazer combinados que a criança não possa cumprir. Não deixar de castigo ou pedir para pensar no cantinho da sala. Deixar a criança se sentir premiada com o que conseguiu através do comportamento inadequado. Ela não deve usufruir daquilo que conquistou à base da mordida (isso vale para chutes, beliscões, tapas, arranhões). Incentivar a dar o troco.

COMO TRATAR A CRIANÇA MORDIDA
A criança que é mordida precisa de acolhimento - atenção e ajuda - para melhorar seus reflexos, expressar seu descontentamento e encontrar mecanismos de defesa. Os pais e professores devem encorajá-la a se defender, porém jamais incentivar o revide. Evitar o rancor, pois a criança que morde não é má, muitas ainda não compreendem o conceito de dor.
Por José Helio da Silva
FONTE:
DITTMERS, Danielle. O significado das mordidas.
MELO, Ana Maria; VITÓRIA, Telma. Mordidas: agressividade ou aprendizagem?
REVISTA NOVA ESCOLA.Como lidar com as crianças que mordem.
VENEZIAN, Juliana de Albuquerque; OLIVEIRA, Bruna Ronchi Oliveira; ARAUJO, Maria Augusta da Costa. O manejo da agressividade da criança: o que uma mordida quer dizer?

INSTITUTO AVISA LÁ. Mordidas na Primeira Infância.