terça-feira, 5 de abril de 2016


MEDIDAS ESSENCIAIS PARA EVITAR A DISSEMINAÇÃO DE VÍRUS, ENTRE OUTROS, DO H1N1.

PROFESSORES, 

- ALTERNAR BRINCADEIRAS EM ÁREAS EXTERNAS, EVITANDO CONFINAMENTO EM SALA/BERÇÁRIO;
- ABRIR AS JANELAS;
- LAVAR AS MÃOS DAS CRIANÇAS DESDE BEBÊS E AS PRÓPRIAS AO CHEGAR NA ESCOLA;
- LAVAR AS MÃOS APÓS CUIDAR DAS CRIANÇAS COM CORIZA, TOSSE E APÓS TODAS AS TROCAS DE FRALDAS E USO DO SANITÁRIO;
- LAVAR AS MÃOS ANTES DAS REFEIÇÕES;
- GARANTIR A HIGIENE DIÁRIA DOS BRINQUEDOS LEVADOS AO ROSTO E A BOCA CONSTANTEMENTE E MANIPULADOS PELAS CRIANÇAS MENORES DE TRÊS ANOS.  

segunda-feira, 28 de março de 2016


DESMAIO EM CRIANÇAS: É NORMAL?


Calor, desidratação e esforço físico podem causar o problema. Saiba o que fazer se isso acontecer com o seu filho

Por Maria Clara Vieira 
Sem motivo aparente, a criança cai desacordada. O susto é inevitável, mas o desespero pode ser controlado se os pais estiverem cientes de que o desmaio nem sempre é indício de algo grave. A perda momentânea de consciência não é uma doença, mas uma reação do corpo a algum fator fisiológico. Pode acontecer em ambientes fechados e nos dias quentes – na hora do banho ou da brincadeira ao sol. Para prevenir, mantenha a criança bem hidratada e alimentada a cada três ou quatro horas e evite locais abafados ou com sol forte.

Que fatores podem provocar desmaio em crianças?

Além do calor, desidratação e esforço físico podem diminuir a pressão arterial, tornando a circulação sanguínea mais lenta. O sangue não irriga adequadamente o cérebro e o corpo responde com a perda de consciência. Permanecer muito tempo em pé ou se levantar repentinamente também interferem na circulação e estão por trás do quadro, assim como a hipoglicemia – queda brusca nos níveis de açúcar no sangue devido ao diabetes ou ao jejum prolongado – e o estresse excessivo.


Que sintomas antecedem a perda de consciência?

A síncope ocorre tão repentinamente que é normal os sinais passarem despercebidos. Mas é possível antever a situação quando a criança se queixa de mal-estar, tontura, visão borrada e sudorese. Pele pálida e mãos frias também alertam para um desmaio iminente. Ao notar esses sintomas, o adulto deve colocar a criança deitada ou sentada, para evitar que caia. Pressionar a cabeça para baixo, entre as pernas, também estimula a circulação na região.


Como agir quando meu filho estiver desacordado?

Corre a crença de que colocar sal embaixo da língua ou sacudir a criança ajuda a despertá-la. No entanto, os médicos garantem que basta esperar alguns segundos até que ela acorde. Enquanto isso, posicione seu filho deitado de lado, para que não engasgue, caso vomite – essa reação é comum em decorrência da náusea que antecede o desmaio. Fora o susto, um episódio breve não traz consequências. Mas vale consultar um pediatra para checar se a saúde está em dia.


Quando o desmaio é motivo de preocupação?

Caso a criança demore mais de um minuto para acordar, leve-a imediatamente ao pronto-socorro, pois pode se tratar de um problema cardíaco, diabetes, ou até anemia. O mesmo vale quando o desmaio sucede uma convulsão. No hospital, os médicos recorrem a exames de sangue e de imagem para identificar os gatilhos do problema. Quando a perda de consciência é demorada e recorrente, ela deve ser investigada por um neurologista, porque pode estar por trás de doenças mais complexas, como a epilepsia. Nessa situação, o desmaio dura até 20 minutos e é seguido de sonolência. Bebês não costumam desmaiar. Se acontecer, é preciso procurar ajuda médica para investigar as causas da crise.

Fontes: Abram Topczewski, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einsten (SP), Victor Horácio e Neuma Kormann, pediatras do Hospital Pequeno Príncipe (PR)



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O PAPEL SOCIAL DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA


Ir para a escolinha brincar? Nada disso! Quando a criança inicia a Educação Infantil, ela está se preparando para o seu ambiente social mais importante depois da sua casa, afinal, a infância é um período importante para aprender e formar o cidadão.
Cleonara Schwartz, professora do programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), reforça o papel da escola no desenvolvimento social e cultural da criança, especialmente porque cria oportunidades de socialização que nem sempre a família tem tempo para executar.
“A escola se coloca como um espaço de ampliação cultural. Os alunos vão a outros ambientes culturais mais pela escola do que pela família. Para muitas crianças, a escola é o único universo social de ampliação cultural. A educação infantil exerce um papel fundamental, ela nunca vai deixar de existir, porque a escola presencial cumpre esse papel de socialização, de ampliação do universo cultural, de aumentar as experiências sociais, culturais e científicas dos alunos”.
O Ministério da Educação também reconhece essa realidade e o papel do educador nesse processo. É por isso que a Lei de Diretrizes e Bases – promulgada há pouco mais de dez anos - reconhece a Educação Infantil como parte da educação básica de qualquer brasileiro e, por isso, exige especialização do educador. Na prática, isso significa que a Educação Infantil tem que ir além da “tia”, das recreações, do Dia das Mães ou dos especiais de Natal. A criança precisa estar em um local com profissionais especializados que promovam rotinas baseadas em propostas pedagógicas muito bem fundamentadas. Lembre-se disso quando for procurar a primeira escola do seu filho.
“A escolha da escola hoje deve passar pelo entendimento da família em relação à proposta pedagógica. É possível ter uma escola pública com uma excelente proposta pedagógica, assim como uma escola particular com uma proposta ruim. Os pais precisam ter em mente que quem faz a mediação do aprendizado é um profissional capacitado. É preciso escolher uma escola que veja o professor como um profissional comprometido e preparado para essa mediação”, explica Cleonara.


Fonte: Folha Vitória 




Endereço:
http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2015/11/o-papel-social-da-educacao-infantil-no-desenvolvimento-da-crianca.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2015


CUIDADOS DE HIGIENE NA CRECHE

Higiene do Nariz
De preferência utilizar lenços descartáveis, pois a prática da higiene nasal evita o surgimento de doenças. Papel higiênico macio também pode ser utilizado. Aproveite para ensiná-las a cuidar de si, disponibilizando lenços de papel quando solicitado por elas, mas supervisione bem estas ações, sem esquecer que, em seguida, é preciso lavar as mãos.


Higiene das Unhas
O corte das unhas das crianças deve ser orientado para que os pais/responsáveis o façam em casa. As unhas grandes acumulam mais sujeiras e facilitam a contaminação da criança, além de possibilitar que ela se arranhe com facilidade.

Higiene Bucal
A higiene da boca dos bebês poder ser iniciada por volta dos 4 meses de idade. Utilizar gaze embebida em água filtrada. Limpar todas as partes da gengiva e da língua. Quando a criança já tiver os dentes da frente (anteriores), a limpeza com gaze poderá continuar da mesma forma, limpando também todas as faces dos dentes. 
É fundamental higienizar os dentes depois das refeições para remover e evitar nova formação da placa de bactérias que provoca a cárie. 
Quando a criança tiver os dentes do fundo (posteriores), inicia-se a limpeza com escova de dente (de cabeça pequena e cerdas macias) e pasta de dente (de preferência sem corante e sem flúor).  Na impossibilidade, usar a quantidade correspondente ao comprimento de um grão de arroz para crianças de até 5 anos. Depois desta idade, o uso está liberado desde que em pequenas quantidades, pois a criança já consegue cuspir e os dentes permanentes anteriores já estão formados. 
Pode-se também realizar a escovação dos dentes das crianças pequenas somente com água limpa, pois a escova removerá e evitará a formação da placa de bactérias.
Fonte: http://nutricaoedieteticahumana.blogspot.com.br/2013/03/higiene-bucal.html

A escovação deve ser feita em todas as faces dos dentes, com movimentos circulares sempre no sentido da gengiva em direção ao dente. Na face de mastigação do dente, o movimento mais indicado é o vai e vem. A língua também precisa ser escovada para retirar a placa que nela também se forma.
Para enxaguar a boca, cada criança deve usar a própria mão ou copo plástico, sob a supervisão e auxílio do professor.
Após a escovação, a escova deve ser bem lavada com água corrente e mantida em lugar limpo e arejado, em porta-escovas individualizados para evitar o crescimento de fungos.
A escova deve ser trocada quando houver necessidade (cerdas desalinhadas) e no início dos períodos escolares.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014


MORDIDAS NA ESCOLA: Entendendo o problema


                                                     

As mordidas são ocorrências comuns em turmas de educação infantil, provocam muita preocupação e ansiedade nos pais, no entanto, elas fazem parte do desenvolvimento normal das crianças até os três anos de idade. Geralmente as mordidas começam a partir do 1 ano de vida.

O que sentem os pais da criança que mordeu?
Sentem-se envergonhados e culpados

O que sentem os pais da criança mordida?
Sentem-se constrangidos, culpados e também agredidos. Normalmente questionam os cuidados que a escola está oferecendo e também os pais da criança que mordeu por não corrigir adequadamente a criança.

Papel da escola na mediação do conflito
A coordenação da escola deve buscar junto aos pais e professores as causas da mordida para intervir na prevenção do problema.

MOTIVOS
Descoberta do próprio corpo
Desde o aparecimento da dentição até por volta dos 2 anos ou 3 anos, as crianças mordem brinquedos, sapatos e até os próprios pais, professores e amigos para descobrir sensações e movimentos. Um dos motivos é a descoberta do próprio corpo. O psicólogo francês Henri Wallon (1879-1962) escreveu que assim a criança constrói seu "eu corporal". “É nessa fase, em que ela testa os limites do próprio corpo, onde o dela acaba e começa o da outra pessoa”.

Fase oral
Segundo o austríaco Sigmund Freud (1856-1939), a fase oral compreende o período em que a criança sente necessidade de levar à boca tudo o que estiver ao seu alcance, pois o prazer vital ou a sua libido está na cavidade oral e nos lábios.

Morder para conhecer
As crianças mordem para conhecer. O que está em volta da criança é objeto de seu interesse e ela quer conhecer, tocar, sentir o cheiro, saber se é mole ou duro, quente ou frio, se rasga, quebra, e é pela boca que ela vai experimentar essas consistências e sensações. Morder passa a ser uma forma de interagir com o mundo, perceber os objetos e também provocar reações. Também utiliza a boca para rejeitar ou aceitar alimentos, se comunicar, sorrir, chorar, balbuciar.  

Prazer pela boca
O primeiro contato da criança com o mundo acontece pela boca, quando busca o seio materno e sente prazer em saciar sua fome. Quando morde um amigo descobre novas sensações de prazer, como em ver o susto, a reação, o choro do colega.

Necessidade de se comunicar
Como a criança ainda não domina a linguagem verbal a mordida é utilizada para expressar descontentamento e irritação ou para disputar a atenção ou objetos com os amigos.
Com o tempo, conforme a criança vai aprendendo a se comunicar melhor através da linguagem, começa a trocar as mordidas pelas palavras, conseguindo aos poucos, organizar e expressar seus sentimentos e insatisfações de outra forma.

Quando entra uma criança nova no grupo
A criança pode ter sentimentos de insegurança, medo de perder a atenção da professora ou ciúmes da criança que está chegando por receber da professora mais atenção e cuidados especiais. Como ainda não consegue expressar os seus sentimentos por meio de palavras, manifesta a sua insegurança e ciúmes mordendo a criança nova.

Brincadeira dos pais dando pequenas mordidas para manifestar carinho
São formas erradas de demonstrar carinho que podem confundir a crianças, que reportam para outras crianças as mesmas brincadeiras, porém podendo machucá-las, já que ainda não possuem domínio da força da mandíbula. Essas atitudes das famílias, apesar de trazerem sentimentos positivos, podem causar agressividade na criança que ainda não controla seus impulsos e não sabe distinguir o certo e o errado.

Separação dos pais
A separação dos pais ou brigas presenciadas pela criança geram desconforto e insegurança. Sem poder falar, os dentes viram um recurso de expressão.

Desejos não atendidos
Nessa fase, a criança ainda está acostumada a ter seus desejos atendidos prontamente, sendo comum demonstrar sua insatisfação, por meio de mordidas, enquanto não aprende a falar direito.

Disputas de brinquedos
Cada criança tem seu modo de reagir diante do que sente e do que acontece ao seu redor. Nas disputas por brinquedos, algumas choram, esperando que um adulto ajude, outras reagem mais intensamente, batendo ou mordendo.

Lidar com a ansiedade
Morder também pode ser uma maneira da criança lidar com sua ansiedade, já que ainda não consegue organizar e compreender direito suas emoções, ela descarrega os ciúmes, a insegurança na mordida.

Situações estressantes, festas
Em festas com grande número de pessoas, a criança pode morder por ansiedade ou insegurança, descarrego de excitação ou agitação.

Chegada de um irmãozinho
Sentimentos de ciúmes e insegurança pela chegada de um irmãozinho podem ser causa de mordidas.

Mudança de casa
A criança sente dificuldade em assimilar novos ambientes, precisa de um tempo para se adaptar e sentir-se segura.

Filho único
O filho único pode ser mais possessivo, egoísta e menos tolerante. Como ainda não domina a linguagem verbal para expressar os seus sentimentos, tende a utilizar a mordida.

Mudança da posição passiva para a ativa
A criança que é mordida pode reagir querendo morder também.

Rotina da escola
Rigor no planejamento sistemático de atividades, falta de tempo livre para o desenvolvimento de atividades motoras e lúdicas ou falha na supervisão das crianças.

COMO TRATAR A CRIANÇA QUE MORDE
O professor deve ajudar tanto a criança que morde como a que foi mordida. É preciso ter calma, conversar com a criança agressora, mostrar que a mordida dói e que o amiguinho ficou triste e machucado. Explicar que ninguém gosta de sentir dor. Ser firme e não brigar com a criança.

Identificar as razões da mordida
Para evitar a instalação da agressividade no grupo, perguntar por que mordeu o coleguinha, se a criança não souber responder, oferecer algumas opções. Identificar o contexto em que ocorrem as mordidas para estimular a substituição da mordida pela argumentação verbal. Não isolar a criança, estimular a convivência saudável e mostrar outras formas de comunicação. Ficar mais atento com as crianças para reduzir as mordidas e situações de agressividade.

Oferecer outras formas de comunicação
Quando a criança morde o amiguinho querendo o mesmo brinquedo, o professor deve entrar com o recurso da palavra dizendo que essa não é a melhor forma de conseguir o brinquedo, apresentando outro brinquedo ou uma atividade para que a criança se interesse e perceba que há outros caminhos para lidar com ansiedades, angústias, excitações. Estimular formas verbais de resolução do conflito. Desenvolver atividades de expressão de linguagens – gestos, danças, músicas, pinturas, brincadeiras livres, etc. Aumentar o tempo para o brincar.

Não taxar a criança de mordedora
A expectativa de que a criança volte a morder, pode realmente levar a mais mordida.

Fazer um trabalho preventivo
As professoras devem também realizar um trabalho preventivo, organizar o ambiente e redobrar a atenção sobre as crianças para evitar novas ocorrências que levem a criança a se machucar, agredir ou ser agredida por um colega. Manter sempre um professor ou adulto próximo das crianças, pois elas se desorganizam muito rápido quando se percebem sozinhas.

O que não fazer com a criança que morde
Dar bronca na frente de todo mundo pode deixá-la mais nervosa e talvez mais agressiva. Não fazer combinados que a criança não possa cumprir. Não deixar de castigo ou pedir para pensar no cantinho da sala. Deixar a criança se sentir premiada com o que conseguiu através do comportamento inadequado. Ela não deve usufruir daquilo que conquistou à base da mordida (isso vale para chutes, beliscões, tapas, arranhões). Incentivar a dar o troco.

COMO TRATAR A CRIANÇA MORDIDA
A criança que é mordida precisa de acolhimento - atenção e ajuda - para melhorar seus reflexos, expressar seu descontentamento e encontrar mecanismos de defesa. Os pais e professores devem encorajá-la a se defender, porém jamais incentivar o revide. Evitar o rancor, pois a criança que morde não é má, muitas ainda não compreendem o conceito de dor.
Por José Helio da Silva
FONTE:
DITTMERS, Danielle. O significado das mordidas.
MELO, Ana Maria; VITÓRIA, Telma. Mordidas: agressividade ou aprendizagem?
REVISTA NOVA ESCOLA.Como lidar com as crianças que mordem.
VENEZIAN, Juliana de Albuquerque; OLIVEIRA, Bruna Ronchi Oliveira; ARAUJO, Maria Augusta da Costa. O manejo da agressividade da criança: o que uma mordida quer dizer?

INSTITUTO AVISA LÁ. Mordidas na Primeira Infância.

domingo, 24 de agosto de 2014


Pequenos se divertem com livros-brinquedos na UME Doutor Luiz Lopes, em Santos, SP: projeto de leitura no berçário causou espanto no início, mas acabou sendo premiado. Foto: Kriz Knack

Fraldas e livros: a importância da leitura para a primeira infância
Acredite: não é perda de tempo ler para quem ainda nem aprendeu a falar. Conheça seis projetos de estímulo à leitura voltados para crianças de até 3 anos

Quando a escritora de livros infantis Tatiana Belinky perguntou ao pediatra, nos idos de 1940, em que momento deveria começar a educar seu filho, então com 3 meses de vida, ouviu como resposta: "Você já está atrasada". Parece mera frase de efeito. O fato, porém, é que o doutor estava coberto de razão. Não há idade para dar início à educação de uma criança - e isso vale também para o incentivo à leitura.
Bebês podem até não entender todo o enredo de uma história, mas a leitura em voz alta os coloca em contato com outras dimensões das linguagens oral e escrita, que serão importantes em seu desenvolvimento. "Eles percebem que a fala do dia a dia é diferente daquela usada numa leitura, que tem cadência, ritmo e emoção. Entendem, por exemplo, que há um começo, um clímax e um desfecho", explica Fraulein Vidigal de Paula, doutora em Psicologia Escolar.
Especialistas acreditam que, para alguém se interessar por livros na vida adulta, é fundamental que a palavra escrita esteja ao seu alcance desde cedo. Ou seja: estimular a leitura dentro do berçário, com bebês que ainda nem aprenderam a falar, pode ser o caminho mais curto para a formação de um futuro leitor. "Manuseando um livro, eles são capazes de identificar a existência da grafia e passam a estabelecer uma relação direta com a linguagem escrita", afirma Fraulein. Pouco importa se a criança ainda não aprendeu a ler ou se o exemplar em questão é feito de papel, plástico ou tecido.
É verdade que leitura para bebês pode assustar até professores. Foi o que descobriu a pedagoga Cláudia Leão, de Santos, no litoral de São Paulo. Em 2002, durante uma reunião com educadoras do berçário onde trabalhava, Cláudia propôs uma atividade de leitura. A ideia foi recebida com espanto e até um pouco de desdém. Mas Cláudia bateu o pé e, da sua teimosia, nasceu o projeto Leitura no Berçário! Por Que Não?. Àquela altura, a pedagoga não fazia ideia do que ainda estava por vir. Cinco anos mais tarde, em 2007, seu trabalho seria amplamente reconhecido e ela receberia um prêmio do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler).

Para despertar a paixão pelos livros nos pequenos da UME Doutor Luiz Lopes, Cláudia usou uma estratégia muito simples: ela criou livros feitos de pano e feltro que têm, em todas as páginas, desenhos de bichos e fotos de cada um dos bebês, lado a lado, como se fossem personagens de uma história. Quando a criança se reconhece, ao virar uma página e encontrar a própria foto, ela se levanta e escolhe outro livro, trazendo-o de volta à roda de leitura para dar continuidade à brincadeira. "Mecanismos desse tipo levam-na a perceber que entre ela e o livro há uma distância mínima", diz Cláudia. Conforme crescem, tornam-se elas mesmas as contadoras de histórias.
Leitura em família
São muitos os benefícios que o contato com livros, ainda na primeira infância, é capaz de proporcionar. Várias funções psicológicas podem ser desenvolvidas, entre elas a memória e a capacidade de estruturar as informações. A leitura em voz alta para uma criança de até 3 anos ajuda a despertar sua sensibilidade para diferentes formas da fala e ainda tem o efeito positivo sobre a chamada atenção seletiva - a capacidade de se desligar de outras fontes de estímulo, mantendo-se concentrada numa só atividade por períodos mais longos. Ler histórias também ajuda no desenvolvimento da noção de tempo. O bom e velho "era uma vez" carrega em si a ideia de algo que acontecia e já não acontece, apresentando à criança a existência do antes, do agora e do depois. "Com a prática da leitura, os bebês desenvolvem estruturas para a ordenar o mundo com base no critério de temporalidade", diz Fraulein Vidigal de Paula.
Na capital mineira, um projeto que estimula o envolvimento dos pais no incentivo à leitura tenta potencializar todas as vantagens que a proximidade com livros pode oferecer aos pequenos. E, assim como o Leitura no Berçário!, também vem colhendo bons resultados. Trata-se do Espaço de Ler, Direito de Todos, que foi implementado em nove creches e atende 950 crianças. Ele é mantido pelo Instituto C&A, que, por meio de seu programa Prazer em Ler, apoia iniciativas para a formação de leitores, com suporte do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Nas creches de Belo Horizonte, são realizadas mediações de leitura com as professoras e também com funcionários das lojas C&A, que participam como voluntários. A cada 15 dias, os próprios pais são convidados a ler histórias para toda a turma. Isso estimula os pequenos a levar livros para casa e continuar por lá a "brincadeira" de leitura com o resto da família.
"Crianças, familiares e educadores participam ativamente do espaço das bibliotecas, coisa que não acontecia antes de implementarmos o projeto", diz Leandro Gomes, coordenador pedagógico da Creche Elizabeth Santos e integrante do conselho gestor do projeto. Outras atividades de incentivo à leitura são especialmente aguardadas pelos pequenos. Uma delas: eles podem escolher, entre vários livros colocados sobre a mesa, quais querem ler enquanto tomam lanche.

O Espaço de Ler, Direito de Todos é apenas um dos projetos que apostam na participação intensiva de pais e familiares para garantir o envolvimento das crianças com a leitura. Em Curitiba, outra iniciativa segue a mesma linha. Ela acontece na CEMEI Santa Izabel e tem por trás o Instituto Avisalá, de São Paulo, cujas principais ações se concentram na formação continuada de profissionais que trabalham com Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.
A pedagoga Andréia Bonatto, que planejou a atividade, explica: "Toda sexta-feira, as crianças voltam para casa com uma sacolinha de pano. Dentro dela vai um livro, que elas mesmas escolheram, e um caderno, com um bilhete solicitando aos pais que façam a leitura com o filho. Na segunda-feira, os pequenos trazem consigo o livro lido e o caderninho, com anotações feitas pela família sobre a experiência do fim de semana. Então, a professora lê em voz alta o que foi escrito".

O resultado é que, muitas vezes, além de querer recontar a história para os colegas, as crianças também anseiam por compartilhar suas próprias impressões sobre a leitura - exatamente como feito por escrito, no caderno. "A atividade os fez tornarem-se ávidos contadores de histórias. Toda segunda-feira é uma farra, porque cada um quer contar primeiro aquilo que leu no fim de semana", diz Andréia.
Biblioteca-mirim
No primeiro ano de vida, o bebê aprende a chorar, comer, engatinhar... até andar. A velocidade da transformação é tamanha que, a cada semana, sua capacidade de compreender uma história muda completamente. É por isso que obras clássicas da literatura universal funcionam tão bem: por serem clássicas, são atemporais e emocionam sempre. Podem ser recontadas inúmeras vezes, e é assim que os pequenos preferem. Eles gostam de se antecipar à página seguinte e contar o que vai acontecer naquela história. Por isso, ilustrações são especialmente importantes nos livros destinados à primeira infância. Nessa faixa etária, o texto é menos importante, pois as letras ainda não fazem sentido para a criança. O que realmente interessa são as formas e as imagens, além da expressão vocal e facial de quem lê para ela. Do mesmo modo que um bebê é capaz de dormir tranquilamente ao som de uma doce canção de ninar, sem prestar atenção à letra, ele pode se emocionar escutando uma história que ainda não entende muito bem, só de prestar atenção na voz do contador.
Ao lidar com bebês ou crianças muito pequenas, descobre-se logo que qualquer atividade pedagógica tem prazo de validade. Se está vencida, é hora de mudar. Para driblar a dispersão natural, os momentos de leitura com pequenos de até 3 anos devem ser dinâmicos, com duração variável. Criatividade é a palavra de ordem. E um bom exemplo de abordagem criativa é o projeto Ler é Saber - Primeira Infância, idealizado por Ivani Capelossa, do Instituto Brasil Leitor. 

O projeto prevê a instalação de bibliotecas planejadas especialmente para crianças pequenas. Já existem 18 salas de leitura como essas em Centros de Educação Infantil espalhados pelo país. Dessas, nove concentram-se no município de Cubatão, a 57 quilômetros de São Paulo. Lá, quem manda são as crianças: as prateleiras são tão baixinhas que até um bebê, engatinhando, é capaz de alcançar os livros. Os móveis, também desenhados especialmente para o projeto, não têm quinas. O acervo de livros é composto por aproximadamente 400 títulos. Ainda assim, o espaço mais se parece com uma brinquedoteca, tamanha é a quantidade de outros objetos - entre fantoches, marionetes, bonecos e instrumentos musicais, dos mais variados. Tudo isso para tornar mais envolvente, dinâmica e fascinante a atividade de narração de histórias.
Entre uma diversão e outra, explica Ivani, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os próprios brinquedos. "Considero cada um daqueles objetos como parte do acervo da biblioteca", ela afirma. "Não é o caso de separá-los dos livros, pois eles estão relacionados. E uma educadora pode passar a tarde inteira desenvolvendo atividades com as crianças aqui, sem que a diversão se esgote."
Imaginação para superar a falta de uma biblioteca
Nem sempre se pode contar com salas de leitura tão aparelhadas quanto as de Cubatão. E, nesses casos, simples fantoches, marionetes e fantasias são meios de convidar as crianças a participar da história. É assim, com poucos recursos mas muita imaginação, que as mediadoras da creche do Projeto Âncora desenvolvem nos pequenos o amor pelos livros. O projeto, sediado em Cotia, a 34 quilômetros de São Paulo, existe desde 1995, dando a crianças e adolescentes da região a oportunidade de conhecer livros de boa qualidade literária.
O contato com a palavra escrita é estimulado em uma atividade batizada Porto da Leitura, coordenada pelas pedagogas do projeto. Os mediadores são adolescentes atendidos pelo Âncora. Eles recebem capacitação em mediação de leitura pela A Cor da Letra, uma entidade com sede em São Paulo que desenvolve e acompanha projetos de literatura, juventude, educação, cultura e saúde. E quem escuta as histórias são os bebês, estimulados com brincadeiras relacionadas aos livros escolhidos. Maria de Nazaré Almeida Filho, educadora do Projeto Âncora, revela o segredo do sucesso das histórias: "Vale a pena preparar o ambiente antes da leitura, apagar as luzes, utilizar um cenário... Assim, é mais fácil prender a atenção dos pequenos. Se conseguimos mantê-los atentos por 20 minutos, já é uma vitória". 

Na Creche Vovô Juca, em São Paulo, essa dificuldade parece ter sido superada. A instituição, sem fins lucrativos, atende famílias da região do Jardim Taboão. Atuando como voluntários do projeto Ler, Conviver e Aprender, os alunos de Ensino Médio e pré-vestibular do Colégio Universitário Taboão, em Taboão da Serra, na região metropolitana da capital paulista, conseguem a proeza de manter atentos, por duas horas seguidas, os 15 bebês mantidos pela creche.
Ideia do professor Mauro Chiavassa, a iniciativa recebeu o selo Escola Solidária em 2007, concedido pelo Instituto Faça Parte. Para envolver as crianças na atividade de contação de histórias, os jovens mediadores de leitura se preparam cuidadosamente: em encontros semanais, sempre acompanhados de um coordenador, eles decidem qual obra literária será objeto de trabalho com os pequenos. A partir daí, desenvolvem uma série de atividades relacionadas à história.

Ler é importante porque...
- Para a formação de bons leitores, é fundamental que as crianças com até 3 anos de idade apreciem e valorizem a escuta e a leitura de histórias desde pequenas.

 - A criança cria o hábito de escutar histórias, valorizando o livro como fonte de conhecimento e entretenimento.
 - A escuta de histórias na escola oportuniza momentos prazerosos em grupo, enriquece o imaginário, amplia o vocabulário, além de familiarizar a criança com a leitura, uma prática valorizada pela sociedade.

Julia Priolli (novaescola@fvc.org.br), colaborou Carol Salles



sexta-feira, 25 de julho de 2014


O brincar em cada fase da infância



Este tema é tão importante que procuramos abordá-lo sempre que possível. Para você, educador ou cuidador, ele é essencial, porque traz informações que subsidiam o seu trabalho e o ajudam a orientar os pais.

A revista Crescer trouxe o tema do brincar em uma de suas últimas publicações. Nós sempre falamos dele, porque é pela brincadeira que a criança se apropria do mundo e de si mesma. Por isso, outros posts valem a sua leitura para ampliar as informações. É o caso dos textos “O brincar dos pequenos: dicas importantes” , “Como conduzir o brincar de suas crianças?” e “Quais brinquedos são os mais indicados à criança pequena?”.

Neste post, adaptamos dicas da matéria da Crescer de como estimular a criança pequena em cada etapa da primeira infância pelo brincar. Confira:

Até três meses – é nesse período que a criança vai aprender a sustentar a cabeça. Ajude a fortalecer os músculos do pescoço. Braços e pernas ainda ficam muito flexionados, como no útero. A dica é estendê-los suavemente para alongá-los. Coloque o bebê de bruços sobre uma superfície segura e chame sua atenção com um objeto sonoro para que levante a cabeça. Bata palmas a distância para que ele tente localizar de onde vem o som, virando a cabeça.

Três a seis meses- o tronco já está começando a se firmar. Coloque a criança sentada no colo ou na cama, com um apoio nas costas. Isso a ajudará a desenvolver essa musculatura. Deite o bebê de barriga para cima e cruze suas pernas, incentivando-o a rolar sobre si mesmo. Coloque-o de bruços em uma superfície segura e espalhe objetos com diferentes texturas para que ele possa explorá-los usando o tato.

Seis aos nove meses – as mãos estão mais fortes e a criança consegue segurar objetos grandes. Estimule a transferi-los de uma mão para a outra. Escolha brinquedos grandes, macios, não cortantes, laváveis e que não soltem pedaços, porque a criança tende a levar tudo à boca. Alguns bebês já começam a ficar de pé nessa fase. Coloque a criança no chão, dando espaço para que possa se arrastar e engatinhar. Distribua objetos a certa distância, incentivando o bebê a engatinhar até eles.

Nove meses a um ano – a criança começa a pegar objetos com os dedos polegar e indicador. Ofereça tampinhas ou bolas de papel para aprimorar esse movimento, sempre sob sua supervisão, evitando que ela coloque esses objetos na boca. Bata palmas, dê tchau, mande beijo para que o bebê imite você.

Um ano a um ano e seis meses – a criança já consegue andar sozinha. Ajude a trabalhar o equilíbrio oferecendo brinquedos que possam ser puxados ou empurrados. Ela também já pode utilizar papel e giz de cera grosso atóxico. Estimule a fazer rabiscos na folha para trabalhar a coordenação motora. Ofereça caixas de diferentes tamanhos e peça que coloque uma dentro da outra, para desenvolver a compreensão.

Um ano e seis meses a dois anos – permita que a criança folheie revistas velhas, rasgue-as e amasse as páginas, para estimular a coordenação motora. Fale os nomes das partes do corpo e peça que vá apontando, uma por uma, para despertar a consciência corporal e treinar o controle do indicador estendido quando os outros dedos estão abaixados. Estimule a chutar e fazer gol para trabalhar a agilidade das pernas.

Dois a três anos – brincadeiras como pega-pega, dar pulos e ficar apoiado em um pé só ajudam a desenvolver o equilíbrio. Para promover o senso de direção e fortalecer a musculatura das pernas, outra boa opção é pedalar o triciclo. Estimule brincadeiras com argila, massa de modelar e tinta guache, que ajudam a controlar a força na ponta dos dedos e o movimento do punho e das mãos.

Três a quatro anos – empilhar de seis a oito objetos estimula o controle neuromotor. Também desafie a criança a desenhar formas geométricas, começando pelo círculo, praticando a coordenação motora fina, responsável pelos movimentos mais delicados e precisos do corpo.

Quatro a cinco anos – a criança já tem habilidade e firmeza para segurar o lápis e desenhar partes do corpo humano (cabeça, tronco e pernas). Crie desafios como andar nas pontas dos pés e imitar animais utilizando todo o corpo: rastejando, se for uma cobra; saltando agachado, se for um sapo.

Cinco a seis anos – os reflexos estão mais rápidos e permitem à criança defender ou agarrar a bola com as duas mãos. Chute a gol e queimada são duas brincadeiras interessantes para essa fase. Aproveite para treinar noções como direita e esquerda, que a criança já entende.

Fonte: Fundação Maria Cecília Souto Vidigal