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quinta-feira, 4 de maio de 2017


COMO TRABALHAR A AGRESSIVIDADE?



Tapas, empurrões, chutes e puxões de cabelo – como reagir nessas situações? O que fazer? Como entender a agressividade na primeira infância? Veja as reflexões, as dicas e brincadeiras para trabalhar essa questão.
No olhar da psicologia, a agressividade que se manifesta nos primeiros anos de vida é um comportamento normal. É uma espécie de reação que ocorre quando a criança está à frente de algum acontecimento que a faz se sentir frágil e insegura.
Assim, na primeira infância é comum as crianças expressarem desejos e frustrações por meio de comportamentos nada polidos e pouco aceitos, causando incômodo em todo o grupo.
Alguns estudos*[1] entendem que a agressividade na Educação Infantil está cada vez mais presente:
  • pela falta de estrutura familiar
  • pela falta da atenção dos pais,
  • pela reprodução de atitudes presenciadas,
  • e nas tentativas de atrair atenção para si.
No ambiente da educação também cabem algumas reflexões:
  • Como a instituição analisa as ações de sua própria equipe com as crianças?
  • Temos consciência de quais atitudes são favoráveis ao aparecimento de frustrações nas crianças?
  • Os educadores trabalham a autonomia das crianças e a construção do respeito pelo outro? Ocorre interação entre crianças de idades diferentes? Como ela é?
  • Quanto a estrutura da rotina e a organização das atividades permitem a expressão e a manifestação dos desejos e estados de espírito das crianças?
  • A turma fica muito restrita às salas? O corpo tem espaço para se movimentar, para experimentar e para interagir?


Conforme o documento Orientações Curriculares[2] de (2007) da prefeitura de São Paulo, é por meio de seu agir, na relação com os outros (grandes e pequenos), que as crianças poderão compreender suas emoções e sentimentos e organizar seus pensamentos, assim como ter iniciativa e buscar soluções para os desafios, problemas e conflitos.
Uma situação comum da rotina que pode desencadear atitudes mais agressivas ocorre quando o educador apresenta uma proposta de trabalho e não há espaço para a escuta e o respeito dos desejos das crianças. Aceitar o estado de espírito das crianças que não querem participar de uma ou outra proposta também pode contribuir para a construção de um ambiente tranquilo e respeitoso.
A valorização das atitudes positivas das crianças (mais agressivas ou não) contribui para a melhoria das relações. Evidenciar os comportamentos favoráveis com expressões faciais alegres e verbalizando elogios para que todos ouçam, são boas estratégias. E, ao mediar as situações de conflito, ser discreta para não chamar a atenção dos que não estão envolvidos. Mas é importante o esforço e o comprometimento de toda a equipe da creche com a percepção e a valorização dessas atitudes para que a transformação seja efetiva.
Jogos e brincadeiras também são fortes aliados porque, dentro dos seus contextos, valorizam as boas relações ao favorecerem o espírito de grupo e a solidariedade.
Algumas brincadeiras são interessantes para trabalhar a agressividade:
Quando perceber que o clima está esquentando, leve o grupo para o pátio e proponha atividades de corpo, bem movimentadas.
Na Escola Te-Arte, a educadora Therezita Soares Pagani instituiu uma Fábrica de Tintas no pátio. No início do processo, as crianças batem com martelinhos, em tijolos, pedras, isopor e outros materiais transformando-os em pó que será peneirado para fazer tintas e outros materiais para as atividades de artes visuais. Quando as crianças desejam ou se estão nervosas e agressivas, é sugerido que fabriquem um pouco de tinta! Funciona!!!
Outra brincadeira interessante é Chuva de Papeis, proposta feita com revistas velhas e jornais e o convite para a turma rasgar os papéis. É rasgar, rasgar e rasgar! Quando esgotarem o exercício, proponha juntar todos os pedacinhos numa caixa, balde ou sacola e, reunindo o grupo, jogar os papeis para o alto fazendo uma linda chuva de papeis! Pode repetir a chuva muitas vezes.
Brincar com as expressões é outra alternativa lúdica. Nomear os sentimentos e expressá-los é um ótimo exercício e uma experiência de autoconhecimento. Desenhar carinhas com expressões ou recortar fotos de revistas pode compor um jogo de expressões de tristeza, alegria, raiva, medo, susto e gargalhada, entre outras.
No geral, desenvolver uma ideia de grupo e a tolerância entre as crianças é um caminho seguro para minimizar as manifestações de agressividade, aprendendo a respeitar o outro e desenvolvendo um sentimento de pertencimento ao coletivo.
[1] Como por exemplo, A AGRESSIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O JOGO COMO FORMA DE INTERVENÇÃO. CANDREVA e outros da revista Pensar a Prática, UFG. [v. 12, n. 1 (2009)].
[2] Orientações curriculares: expectativas de aprendizagens e orientações didáticas para Educação Infantil / Secretaria Municipal de Educação – São Paulo : SME / DOT, 2007.

Fonte: http://www.tempodecreche.com.br/relacao/como-trabalhar-agressividade/


sexta-feira, 19 de setembro de 2014


MORDIDAS NA ESCOLA: Entendendo o problema


                                                     

As mordidas são ocorrências comuns em turmas de educação infantil, provocam muita preocupação e ansiedade nos pais, no entanto, elas fazem parte do desenvolvimento normal das crianças até os três anos de idade. Geralmente as mordidas começam a partir do 1 ano de vida.

O que sentem os pais da criança que mordeu?
Sentem-se envergonhados e culpados

O que sentem os pais da criança mordida?
Sentem-se constrangidos, culpados e também agredidos. Normalmente questionam os cuidados que a escola está oferecendo e também os pais da criança que mordeu por não corrigir adequadamente a criança.

Papel da escola na mediação do conflito
A coordenação da escola deve buscar junto aos pais e professores as causas da mordida para intervir na prevenção do problema.

MOTIVOS
Descoberta do próprio corpo
Desde o aparecimento da dentição até por volta dos 2 anos ou 3 anos, as crianças mordem brinquedos, sapatos e até os próprios pais, professores e amigos para descobrir sensações e movimentos. Um dos motivos é a descoberta do próprio corpo. O psicólogo francês Henri Wallon (1879-1962) escreveu que assim a criança constrói seu "eu corporal". “É nessa fase, em que ela testa os limites do próprio corpo, onde o dela acaba e começa o da outra pessoa”.

Fase oral
Segundo o austríaco Sigmund Freud (1856-1939), a fase oral compreende o período em que a criança sente necessidade de levar à boca tudo o que estiver ao seu alcance, pois o prazer vital ou a sua libido está na cavidade oral e nos lábios.

Morder para conhecer
As crianças mordem para conhecer. O que está em volta da criança é objeto de seu interesse e ela quer conhecer, tocar, sentir o cheiro, saber se é mole ou duro, quente ou frio, se rasga, quebra, e é pela boca que ela vai experimentar essas consistências e sensações. Morder passa a ser uma forma de interagir com o mundo, perceber os objetos e também provocar reações. Também utiliza a boca para rejeitar ou aceitar alimentos, se comunicar, sorrir, chorar, balbuciar.  

Prazer pela boca
O primeiro contato da criança com o mundo acontece pela boca, quando busca o seio materno e sente prazer em saciar sua fome. Quando morde um amigo descobre novas sensações de prazer, como em ver o susto, a reação, o choro do colega.

Necessidade de se comunicar
Como a criança ainda não domina a linguagem verbal a mordida é utilizada para expressar descontentamento e irritação ou para disputar a atenção ou objetos com os amigos.
Com o tempo, conforme a criança vai aprendendo a se comunicar melhor através da linguagem, começa a trocar as mordidas pelas palavras, conseguindo aos poucos, organizar e expressar seus sentimentos e insatisfações de outra forma.

Quando entra uma criança nova no grupo
A criança pode ter sentimentos de insegurança, medo de perder a atenção da professora ou ciúmes da criança que está chegando por receber da professora mais atenção e cuidados especiais. Como ainda não consegue expressar os seus sentimentos por meio de palavras, manifesta a sua insegurança e ciúmes mordendo a criança nova.

Brincadeira dos pais dando pequenas mordidas para manifestar carinho
São formas erradas de demonstrar carinho que podem confundir a crianças, que reportam para outras crianças as mesmas brincadeiras, porém podendo machucá-las, já que ainda não possuem domínio da força da mandíbula. Essas atitudes das famílias, apesar de trazerem sentimentos positivos, podem causar agressividade na criança que ainda não controla seus impulsos e não sabe distinguir o certo e o errado.

Separação dos pais
A separação dos pais ou brigas presenciadas pela criança geram desconforto e insegurança. Sem poder falar, os dentes viram um recurso de expressão.

Desejos não atendidos
Nessa fase, a criança ainda está acostumada a ter seus desejos atendidos prontamente, sendo comum demonstrar sua insatisfação, por meio de mordidas, enquanto não aprende a falar direito.

Disputas de brinquedos
Cada criança tem seu modo de reagir diante do que sente e do que acontece ao seu redor. Nas disputas por brinquedos, algumas choram, esperando que um adulto ajude, outras reagem mais intensamente, batendo ou mordendo.

Lidar com a ansiedade
Morder também pode ser uma maneira da criança lidar com sua ansiedade, já que ainda não consegue organizar e compreender direito suas emoções, ela descarrega os ciúmes, a insegurança na mordida.

Situações estressantes, festas
Em festas com grande número de pessoas, a criança pode morder por ansiedade ou insegurança, descarrego de excitação ou agitação.

Chegada de um irmãozinho
Sentimentos de ciúmes e insegurança pela chegada de um irmãozinho podem ser causa de mordidas.

Mudança de casa
A criança sente dificuldade em assimilar novos ambientes, precisa de um tempo para se adaptar e sentir-se segura.

Filho único
O filho único pode ser mais possessivo, egoísta e menos tolerante. Como ainda não domina a linguagem verbal para expressar os seus sentimentos, tende a utilizar a mordida.

Mudança da posição passiva para a ativa
A criança que é mordida pode reagir querendo morder também.

Rotina da escola
Rigor no planejamento sistemático de atividades, falta de tempo livre para o desenvolvimento de atividades motoras e lúdicas ou falha na supervisão das crianças.

COMO TRATAR A CRIANÇA QUE MORDE
O professor deve ajudar tanto a criança que morde como a que foi mordida. É preciso ter calma, conversar com a criança agressora, mostrar que a mordida dói e que o amiguinho ficou triste e machucado. Explicar que ninguém gosta de sentir dor. Ser firme e não brigar com a criança.

Identificar as razões da mordida
Para evitar a instalação da agressividade no grupo, perguntar por que mordeu o coleguinha, se a criança não souber responder, oferecer algumas opções. Identificar o contexto em que ocorrem as mordidas para estimular a substituição da mordida pela argumentação verbal. Não isolar a criança, estimular a convivência saudável e mostrar outras formas de comunicação. Ficar mais atento com as crianças para reduzir as mordidas e situações de agressividade.

Oferecer outras formas de comunicação
Quando a criança morde o amiguinho querendo o mesmo brinquedo, o professor deve entrar com o recurso da palavra dizendo que essa não é a melhor forma de conseguir o brinquedo, apresentando outro brinquedo ou uma atividade para que a criança se interesse e perceba que há outros caminhos para lidar com ansiedades, angústias, excitações. Estimular formas verbais de resolução do conflito. Desenvolver atividades de expressão de linguagens – gestos, danças, músicas, pinturas, brincadeiras livres, etc. Aumentar o tempo para o brincar.

Não taxar a criança de mordedora
A expectativa de que a criança volte a morder, pode realmente levar a mais mordida.

Fazer um trabalho preventivo
As professoras devem também realizar um trabalho preventivo, organizar o ambiente e redobrar a atenção sobre as crianças para evitar novas ocorrências que levem a criança a se machucar, agredir ou ser agredida por um colega. Manter sempre um professor ou adulto próximo das crianças, pois elas se desorganizam muito rápido quando se percebem sozinhas.

O que não fazer com a criança que morde
Dar bronca na frente de todo mundo pode deixá-la mais nervosa e talvez mais agressiva. Não fazer combinados que a criança não possa cumprir. Não deixar de castigo ou pedir para pensar no cantinho da sala. Deixar a criança se sentir premiada com o que conseguiu através do comportamento inadequado. Ela não deve usufruir daquilo que conquistou à base da mordida (isso vale para chutes, beliscões, tapas, arranhões). Incentivar a dar o troco.

COMO TRATAR A CRIANÇA MORDIDA
A criança que é mordida precisa de acolhimento - atenção e ajuda - para melhorar seus reflexos, expressar seu descontentamento e encontrar mecanismos de defesa. Os pais e professores devem encorajá-la a se defender, porém jamais incentivar o revide. Evitar o rancor, pois a criança que morde não é má, muitas ainda não compreendem o conceito de dor.
Por José Helio da Silva
FONTE:
DITTMERS, Danielle. O significado das mordidas.
MELO, Ana Maria; VITÓRIA, Telma. Mordidas: agressividade ou aprendizagem?
REVISTA NOVA ESCOLA.Como lidar com as crianças que mordem.
VENEZIAN, Juliana de Albuquerque; OLIVEIRA, Bruna Ronchi Oliveira; ARAUJO, Maria Augusta da Costa. O manejo da agressividade da criança: o que uma mordida quer dizer?

INSTITUTO AVISA LÁ. Mordidas na Primeira Infância.