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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017


Especialistas respondem: o que a creche ideal precisa oferecer?



Como saber se uma creche é realmente boa, e oferece aquilo que o bebê - que ainda não fala, e é tão pequeno e frágil - precisa para se desenvolver? Para responder a essa pergunta, o Catraquinha conversou com especialistas dos campos da educação infantil, desenvolvimento da criança e primeira infância para oferecer subsídios para que famílias possam fazer uma escolha consciente e segura, munidos de informação para avaliar e cobrar - porque não?- a instituição escolhida.

Afinal, o que faz de uma creche um bom espaço para uma criança?

A resposta para essa pergunta passa longe dos brinquedos industrializados, de um espaço físico que impressione pela modernidade, ou pelo design arrojado, ou da oferta de infraestrutura e tecnologia, e se aproxima de aspectos mais simples e humanos, como carinho, afeto e tempo para a criança poder brincar e explorar o mundo.
Muito mais importante do que as características do espaço -salas grandes ou pequenas, um jardim enorme, chão de borracha para a criança não se machucar, e oferta de brinquedos, por exemplo- é a forma como o local será aproveitado dentro do projeto pedagógico da instituição, a qualidade e a formação dos profissionais que trabalham no local e, principalmente, se o ambiente proporciona segurança e acolhimento para que a criança possa experimentar novas sensações.
“Bebês precisam explorar objetos, experimentar o corpo, aventurar-se pelos espaços, brincar, comunicar-se com outras crianças e com os adultos e ampliar os seus saberes”, aponta Alice Junqueira, psicóloga e educadora do Cenpec.


Créditos: Shutterstock
"As crianças de zero a três anos estão aprendendo a todo o momento, seja nas atividades de cuidados físicos, como nos desafios proporcionados pelas outras crianças nas interações e compartilhamento de sentidos das experiências, como nos objetos, brinquedos, materiais que os professores colocam a disposição da criança para explorar, conhecer, criar", Alice Junqueira

Para João Batista Araujo e Oliveira, Presidente do Instituto Alfa e Beto, uma creche é boa quando contribui para promover o desenvolvimento harmônico da criança.  “Para cumprir sua função,  precisa acolher as crianças com carinho, apresentar à elas estímulos adequados aos vários aspectos do seu desenvolvimento e trabalhar em sintonia com as famílias”, aponta.
De acordo com os especialistas, o que faz de uma creche uma "boa" creche está muito mais atrelado à qualidade das experiências que aquela instituição proporciona à criança, do que aos recursos materiais aos quais a criança tem acesso no local.
"Ambientes lúdicos são criados pelas crianças. O fundamental é ter espaço com alguns estímulos e liberdade para explorar", afirma João Batista. De acordo com ele, o "segredo consiste na organização do espaço, do tempo, das atividades que nele ocorrem e nas interações, os desafios e limites apresentados à criança para que ela possa fazer o melhor proveito deles. As coisas – como os brinquedos em si – não são especialmente relevantes. O relevante é o que a criança possa fazer com elas e o estímulo e feedback que recebe para explorar e conhecer o mundo – liberando a sua curiosidade e sua imaginação", completa o especialista.

Brincar: o modo de aprender das crianças

Muito mais do que uma forma de lazer e de passar o tempo, brincar é um direito da criança, e também uma atividade imprescindível ao seu desenvolvimento. “É a forma como as crianças se conectam ao mundo, é a sua forma de aprender sobre a linguagem, as pessoas, os fenômenos da natureza e da sociedade”, explica o presidente do IAB.
No dia a dia da educação infantil, de acordo com os especialistas, a brincadeira deve estar tão presente quanto os cuidados com o bem-estar físico da criança. "Na creche, cabe ao educador organizar o espaço físico e planejar ações intencionais que favoreçam um brincar de qualidade", aponta a educadora Alice Junqueira. 

Créditos: Shutterstock
"A brincadeira é a forma de a criança ser e estar no mundo. Ela usa os objetos com um sentido bem especial, primeiro ela quer saber o que é, e pega, põe  na boca, olha, cheira, chacoalha, bate, enfim , percebe todas as propriedades deste objeto seja ele qual for. Depois, quer saber para que aquele objeto é usado, para que ele serve. E por fim a criança transforma em algo novo, que ela imagina e cria", diz Cisele Ortiz, psicóloga especialista em educação infantil

E, ao contrário do que muitos podem pensar, quanto menos "pronto" for o brinquedo, melhor ele servirá ao propósito do brincar da criança. Nesse sentido, materiais simples como caixas de papelão, panos, sucatas, folhas, galhos, na creche, ganham o status de poderosas ferramentas pedagógicas. “Eles certamente os transformarão, por meio da imaginação, em brinquedos bem mais interessantes e divertidos dos que os industrializados”, afirma Alice Junqueira do Cenpec.

O contato com a leitura começa antes da alfabetização

A leitura tem grande importância na creche, pois coloca os bebês desde cedo em contato com a linguagem escrita. "Por meio dela, percebem que a fala do dia a dia é diferente daquela usada numa leitura em voz alta, notam que tem cadência, ritmo e emoção diferentes. Estar em contato com livros desde o berçário é um excelente caminho para despertar paixões pela leitura", disse Alice Junqueira, do Cenpec.



Créditos: Shutterstock

"Para a criança, os livros são um 'brinquedo' como outro qualquer, e se tornam tão mais interessantes quanto mais estiverem associados a interações com os pais e outros entes queridos", afirma João Batista.


Mas, a tarefa de educar e criar futuros leitores não deve ser exclusiva dos educadores. Livros e leituras assistidas devem permear a rotina das crianças na instituição de ensino, mas também as brincadeiras entre pais e filhos em casa. "Livros trazem em si o elemento mágico de compartilhar narrativas, melodias e fortalecer vínculos", completa Cisele Ortiz, psicóloga especialista em educação infantil. 

E as telas?

Na era da internet, as telas estão presentes na rotina das famílias. Mas será que atividades com tablets, filmes ou moimentos de televisão fazem sentido no ambiente da creche?
Os especialistas consultados vêm com muita cautela o uso das telas na rotina das crianças nas creches. "Esse tipo de atividade só tem sentido quando está relacionada a algum projeto ou proposta pedagógica", aponta a psicóloga Alice Junqueira. 
Cisele Ortiz, que é Coordenadora do GT de Educação Infantil de Rede Nacional Primeira Infância, sugere sessões de cinema na creche para as famílias como uma possibilidade de ampliação cultural para a comunidade escolar. "Deve-se ter em mente sempre que a ação da creche é complementar à ação da família, portando deve ir mais, ir além e não reproduzir o que a criança já tem", afirma.

Os cuidados com o bem-estar do bebê e a rotina na creche

Cisele Ortiz, psicóloga especialista em educação infantil e coautora do livro "Ser professor de bebês: cuidar educar e brincar uma única ação", destaca a importância da criança ter na creche uma rotina estável, e que seja centrada nas necessidades infantis e não nas necessidades institucionais e dos adultos. “A rotina é fundamental para as crianças como elemento de segurança que favorece a construção da identidade e da autonomia”, afirma.

O que é mais importante na estrutura física de uma creche?

Como já foi dito anteriormente, mais importante do que o espaço em si, para a criança, é o tipo o local é aproveitado e que tipo de atividade é desenvolvida ali. Sem rodeios, sobre essa questão, Cisele afirma: "Fundamental é termos: 1,80m² por criança no espaço interno tudo acessível e à altura dela, e que as paredes reflitam a cultura e a estética infantis, com espaços externos verdes, onde ela possa ter diversidade de cores, aromas, texturas, espécies, enfim, vida que pulsa".
O contato com espaços mais verdes e naturais, sem dúvida, é muito importante para o desenvolvimento das crianças. "Desemparedadas", as crianças podem experimentar o brincar de forma mais livre e imaginativa. Apesar disso, o pátio dos sonhos, repleto de árvores e verde, não é uma realidade para todas as instituições. "Sempre se pode possibilitar às crianças o contato com elementos naturais como água, terra, grama ou areia, sempre fontes de inesgotáveis experiências sensoriais, não sendo para isso necessário espaços tão incríveis e inovadores", completa Alice Junqueira, do Cenpec.
As 32 escolas da rede de ensino de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, são um exemplo interessante nesse sentido. "A questão não está no tamanho do espaço e sim na riqueza que ele vai oferecer, em como organizá-lo. Entre as escolas de nossa rede, justamente, uma das escolas com menor tamanho de pátio, é uma das que tem maior diversidade de possibilidades para as crianças, com variedade de árvores frutíferas, horta, composteira, cisterna e diferentes recantos para a brincadeira. Materializar uma proposta de pátio está muito mais para a concepção do que para o tamanho do pátio ou para os recursos financeiros", conta a bióloga Rita Jaqueline Morais, assessora pedagógica de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação do município.


Créditos: arquivo pessoal / Rita Jaqueline

Cada escola tem liberdade para a construção deste espaço, de acordo com suas possibilidades financeiras.


Por fim, os especialistas fazem um alerta em relação a estruturas físicas que se assemelhem à instituições totalitárias como prisões, quartéis ou conventos. "A estrutura física muitas vezes tem esse poder de massificar e embotar o indivíduo assim como a rotina rígida. As crianças não podem ficar massificadas e confinadas", aponta Cisele.

Não existe educação de qualidade sem bons educadores

A ciência já sinaliza os enormes benefícios dos investimentos em políticas para a primeira infância, e também para a importância dos primeiros seis anos de vida da criança para todo o seu desenvolvimento futuro. Apesar disso, no Brasil, a ampliação de vagas -com qualidade- nas creches ainda é um dos grandes desafios do país. Superar esse desafio passa pela valorização e qualificação dos professores da educação infantil.
A formação do educador é fundamental e sabemos que tem um impacto direto em sua prática. Nesse sentido, não basta a formação inicial. É muito importante que o professor participe de processos de formação continuada para que construa e aprofunde conhecimentos a partir da discussão e análise das próprias ações educativas.
"Sem salários adequados e equalizados com outras profissões do mesmo nível, sem que a lei do piso seja cumprida por todos os municípios , sem plano de carreira, sem formação continuada no cotidiano, (aquela que o supervisor, diretor e coordenador pedagógico são responsáveis ), que traga luz às práticas e reflexões aprofundadas , não tem como melhorar a qualidade. Se o professor de creche ainda é visto como um profissional inferior pelo Estado, não há por que a sociedade pensar diferente . Sem visão política e estratégica dificilmente a educação avança. A educação da criança pequena , infelizmente é vista como um problema privado , da família, em geral da mulher , e não como o nosso maior bem , nosso futuro sendo criado hoje", disse Cisele, da Rede Nacional Primeira Infância.

Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/aprender/indicacao/especialistas-respondem-o-que-a-creche-ideal-precisa-oferecer/. Acesso em 20 fev 17

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Identidade e Autonomia: Construindo no Espaço Escolar


IDENTIDADE E AUTONOMIA: CONSTRUINDO NO ESPAÇO ESCOLAR

Quando a criança entra na escola de educação infantil um novo mundo é descoberto. A novidade permeia os seus passos: o prédio da escola; os funcionários; os professores; as crianças; os brinquedos; as regras; a disciplina de horários para as atividades; as refeições nas horas certas; o sono; as disputas por espaços, brinquedos e atenção dos professores. 
É uma passagem radical da família, em que ocupa a posição central, para a escola, lugar de muita gente, muitas novidades e pouca exclusividade.
A maneira como a criança se vê e é vista pelas outras crianças e professores, influencia na formação de sua personalidade e autoestima.
A construção da identidade e autonomia da criança é fundamental para a conquista de sua independência, de ir e vir, pedir, expressar sentimentos e necessidades, cuidar do corpo, conquistar, defender-se, tomar decisões por si própria, levando em conta regras, valores, a sua perspectiva pessoal, bem como a do outro.
A identidade da criança é construída pelo reconhecimento de sua diferenciação em relação aos outros. Ao nascerem, as crianças não diferenciam o seu próprio corpo e os limites de seus desejos. Podem ficar frustradas quando as pessoas não agem conforme os seus desejos. 
O afeto e a atenção contribuem para o desenvolvimento pessoal da criança, ajudando-a a perceber o seu próprio corpo como separado do outro, a utilizar os seus recursos para satisfazer as suas necessidades, interessar-se pelo cuidado com o próprio corpo, brincar e demonstrar suas necessidades e interesses.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Organização do espaço

O espaço físico é um grande aliado dos educadores na educação de crianças pequenas. É necessário investir tempo, energia e algum recurso para assegurar o bem-estar físico, a segurança, as aprendizagens e principalmente o conforto nos Centros de Educação Infantil.

Há diferentes formas de organizar os ambientes educativos para que eles possam tornar-se aconchegantes, seguros e desafiadores ao mesmo tempo.

A seguir damos algumas sugestões. Cantos de atividades diversificadas. Organizar diferentes atividades, por um período do dia, em um mesmo ambiente é uma possibilidade bem interessante. Quando a sala é organizada em “cantos” configura-se uma estratégia de organização e planejamento de atividades que possibilita ao professor conhecer melhor as crianças, acompanhá-las em suas aprendizagens, observar as suas necessidades e replanejar sua ação com maior segurança.

 
O que são:

• Atividades permanentes com frequência diária.

• Organizadas por temas, por materiais, por conteúdos.

• Organizadas pelo adulto e pelas crianças.

• Permitem que as crianças escolham o que fazer.

• Permitem que as crianças escolham seus parceiros para brincar.

Princípios norteadores:

• Respeito às escolhas das crianças.

• Incentivo à autonomia.

• Ampliação cultural.

Ações do professor:
 
 

• Viabilização de interações frutíferas entre as crianças, e entre elas e os objetos.

• Acesso a materiais e produções da cultura.

• Equilíbrio entre a constância de materiais e a diversidade.

• Incentivo à individualidade e aos agrupamentos.

• Incentivo à descoberta de cantos desconhecidos.

• Observação da atuação infantil.
 

O que as crianças aprendem:

• Escolher, tomar decisões.

• Agir com pouca ajuda do professor, em parceria com outras crianças ou sozinha.

• Cooperar, compartilhar.

• Brincar, imaginar, construir cenários lúdicos, papéis para o jogo simbólico.

• Colocar e negociar seus interesses e necessidades.

• Cuidar da organização do ambiente e dos materiais.
 
 

Possibilidades de cantos:
 
 

• Ambientes para brincar de faz-de-conta (alguns exemplos):

– heróis;

– príncipes e princesas;

– lojinha;

– escola;

– casinha;

– salão de beleza para meninos e meninas;

– feira;

– supermercado;

– papelaria;

– caminhoneiro;

– peão.

• Ambientes para expressar-se graficamente:

– desenho com papel e caneta hidrográfica e/ou giz de cera, lápis de cor;

– pintura;

– colagem;

– modelagem.

• Ambientes para ler:

– canto com livros de poesia, jornais, enciclopédia, contos de fadas, gibis.

• Ambientes para jogar:

– jogo de percurso, de memória, quebra-cabeça, baralho etc.

 

 

Perguntas frequentes:

 

O que a organização de cantos de atividades diversificadas oferece às crianças?

Essa modalidade de organização da sala ensina a criança a escolher e tomar decisões, responsabilizando-se por suas escolhas. É um momento privilegiado no qual ela pode agir de forma mais autônoma, justamente porque o professor abre mão de dirigir a atividade que está sendo proposta, compartilhando com as crianças a própria organização/coordenação da atividade. Nesse momento cabe às crianças a organização da sala, dos materiais, da escolha do que fazer, da negociação pela posse de brinquedos etc., com a ajuda do professor. Assim as crianças aprendem a cooperar, compartilhar, agir por conta própria.
A organização da sala em cantos de atividades diversificadas não deixa de ser por si só um importante aprendizado para as crianças: aprendem a transformar o próprio ambiente e a saber que muitos mundos cabem numa simples sala de grupo! Podem virar as mesas ao contrário e enrolar um pano em volta para formar um barco ou então empilhar mesas viradas ao contrário umas sobre as outras e passar um barbante circundando os pés da mesa virados para cima para fazer uma barraca de feira; é possível colocar almofadas aconchegantes num canto para ler; podem delimitar um pedaço de chão com caixotes para fazer uma pista para arremessar bolinhas de gude sem deixar espalhá-las pela sala; enfim, possibilita muitas propostas que ocorrem ao mesmo tempo.
A organização dos cantos de atividades diversificadas não é só um momento de aprendizagem da criança, é também do professor, que aprende a segurar seu impulso de estar sempre dirigindo e controlando a situação. Ele permite que as crianças dêem conta de gerenciar o momento. Esta forma de organização possibilita que o professor observe melhor as crianças, suas potencialidades e dificuldades, já que está mais disponível para isso.
 

Quanto tempo da rotina deve ser destinado aos cantos de atividades diversificadas?
 
 

Para responder a esta questão temos que pensar na grade de horários da escola ou do CEI, equilibrar o tempo destinado à roda de conversa, roda de história, momento para realizar as atividades dos projetos e as permanentes.
Assim sendo, um tempo razoável seria entre 50 minutos e 1 hora, no qual as crianças pudessem circular por diversos cantos ou escolher alguns deles para ficar. Um momento que permite a exploração, a dedicação maior a determinadas atividades, sem direção única pelo adulto, o que às vezes pode tornar uma atividade improdutiva, repetitiva ou cansativa. É sempre bom terminar uma atividade com gosto de “quero mais” para o dia seguinte. Poder ter uma constância de propostas que vão sendo incrementadas ao longo do tempo ajuda as crianças a aprofundar seus conhecimentos, tanto no que diz respeito à natureza lúdica das propostas quanto aos conhecimentos que lhes são proporcionados na interação com os objetos e as outras crianças.

 

Por que reservar um momento diário para tal finalidade?

Reservar um momento diário permite que as crianças aprendam a tomar decisões, compartilhar, realizar escolhas, e também se apropriem mais do espaço da sala, uma vez que ajudam a construir os cantos, organizando-os e incrementando- os com suas idéias e propostas.
Algumas professoras, quando fazem essa pergunta, acham que podem substituir o espaço diário dessa proposta (cerca de 1 hora), por um único dia da semana destinado inteiramente aos cantos de atividades diversificadas. Entretanto, é melhor a constância da proposta em menor tempo, até para compartilhar com outras tantas atividades necessárias no dia-a-dia, do que desenvolver a proposta num dia inteiro. É importante intercalar momentos nos quais a condução da sala seja realizada apenas pelo professor com outros, compartilhados com as crianças. (Essa proposta não se confunde com a das salas ambientes, na qual cada sala possui uma proposta específica, de tal forma que as crianças rodiziam, em grupo, durante o dia em cada uma delas.)

 

“Não tem material na minha escola para fazer cantos de atividades diversificadas.” O que fazer?
Mais do que material, é preciso ter propostas e ideias. Muito da falta de material diz respeito à falta de ideia do que fazer em sala com o grupo.
O professor está tão acostumado com lápis e papel que tem pouca intimidade com outros materiais. Faz-se necessário retomar suas próprias brincadeiras de infância, lembrar o quanto se improvisava com qualquer recurso disponível.
Assim sendo, por exemplo, sobras de uma marcenaria podem compor um divertido jogo de monta - tudo. Essa proposta é incrementada agregando-se a ela livros de castelos, de parques em diferentes países, para que as crianças tenham que bolar, com os retalhos de madeira, construções variadas. Com esses mesmos retalhos e cola é possível fazer móveis para casinha de bonecas.
As crianças podem colar E.V.A., tecidos, sobre as madeiras para compor diferentes móveis. Pode-se ainda sugerir que com os mesmos retalhos façam uma pista para rolagem de pião, ou então que construam a torre mais alta que conseguirem e medirem a altura para colocar em um livro de recordes; enfim, o professor precisa desenvolver sua criatividade, sondando com as crianças suas preferências para propor ao grupo outras possibilidades de explorar os cantos de atividades diversificadas.
 

Espaço das salas de grupos
 
 

 

Sugestões de materiais para as salas de crianças de 4 meses a 2 anos
• Mural, da altura das crianças, organizado para usos diversos, contendo:
– fotos das crianças, trazidas de casa e ou feitas na escola, identificadas com o nome de cada uma delas;
– fotos das crianças em diferentes situações sociais (aniversários, passeios, com animais de estimação, com familiares);
– reprodução das capas dos livros que foram lidos ou das histórias que foram contadas;
– imagens instigantes e visualmente interessantes do ponto de vista estético.
• Calendário de uso social para marcação de:
– aniversariantes da turma;
– compromissos e combinados especiais.
• Relógio comum de uso social, como um portador numérico para que as crianças observem o seu uso pelo educador.
• Brinquedos que possam ser levados à boca sem perigo (de plástico ou de borracha com selo do Inmetro).
• Brinquedos que produzam som (chocalhos).
• Brinquedos de empilhar e encaixar (blocos, cubos).
• Brinquedos de correr atrás (bolas, cilindros).
• Colchonetes e almofadas (com capas laváveis).
• Móbiles e estábiles (as salas podem ter muitos ganchos em diferentes lugares para pendurar panos, tules, cortinas sonoras etc.).
• Tapetes de atividades com bolsos, guizos, espelhos, quadros de panos de diferentes texturas.
• “Estante” para livros, tipo sapateira, com bolsões transparentes para que as crianças identifiquem os livros de histórias.
• CDs com música de diferentes gêneros.
• Espelho de tamanho suficiente para que duas ou três crianças possam se ver inteiras.
• Obstáculos que provoquem diferentes movimentos: subir, descer, trepar, agachar, arrastar, escorregar.
A organização do espaço educativo reflete as concepções de criança, ensino e aprendizagem das instituições. As formas como as salas estão organizadas a disposição dos móveis, a acessibilidade aos brinquedos, aos livros, a exposição ou não das produções infantis, a “decoração” são indícios reveladores sobre como as crianças são vistas e consideradas.
• Cantos diversos:
– de brinquedos e jogos, organizados de acordo com os usos das crianças;
– ambientados para o jogo de casinha e os demais jogos de faz-de-conta preferidos da turma;
– com locais reservados ou reversíveis para momentos de repouso, sempre muito flexíveis nos primeiros anos de vida;
– confortáveis, forrados com tapete, placas de E.V.A. ou outro piso confortável que permitam a acomodação das crianças em roda para o bate-papo diário;
– materiais de construção: blocos de madeira, caixas de papelão, Lego®, monta - tudo e outros;
– bonecas e seus acessórios: mamadeira, fraldas para trocar, banheira, sabonete, toalha, pente, roupas etc.;
– com mesas e cadeiras para atividades que requeiram uma acomodação diferente e permitam práticas como desenho, modelagem com massinha etc.;
– com livros de histórias, poesias, cantigas etc.;
– com tapete, esteira, almofada ou outro piso que delimite o espaço e transmita uma sensação de conforto.
• Local para pendurar mochilas e pertences pessoais devidamente identificados.
• Mural para os recados da professora: lembretes, restrições alimentares das crianças, recomendações para o preparo de mamadeiras, receita médica de alguma criança etc.
 

Sugestões de materiais para as salas de crianças de 3 a 5 anos
• Vários murais ou um mural organizado para usos diversos, como:
– exposição de produções infantis, devidamente identificadas;
– fixação ou exposição de produções de crianças ou materiais que estão sendo pesquisados num determinado momento do ano;
– os recados da professora (lembretes, receita médica de alguma criança etc.);
– painel de fotos da turma.
• Lista de nomes das crianças da turma (cartaz com filipetas escritas em letra-bastão, de uma só cor, mesmo padrão de tamanho para todos os nomes, sem fotos ou outras imagens).
• Lista dos aniversariantes da turma.
• Calendário.
• Agenda de compromissos e registro da programação diária para ser utilizada pelas crianças.
• Relógio.
• Estante de brinquedos e jogos, devidamente identificados para facilitar o uso pelas crianças.
• Espaço para a ambientação do jogo simbólico da turma (a própria sala pode ser ambientada segundo os temas estudados).
• Cantos de materiais para jogo simbólico.
• Estante ou caixa com materiais de uso coletivo contendo:
– canetas variadas;
– borracha;
– lápis variados;
– réguas;
– clipes;
– prendedores;
– barbante;
– fita crepe e durex.
• Biblioteca de sala (estante, painel com bolsos ou outras soluções) contendo, de maneira organizada:
– livros;
– revistas;
– gibis;
– jornais;
– catálogos diversos;
– painel para fixar as sugestões de leitura das próprias crianças, bem como artigos de jornal, de interesse da sala;
– tapete, esteira, almofada ou outro piso que delimite o espaço e transmita uma sensação de conforto.
• Na ausência de espaço para a roda, é preciso pensar em acessórios tais como esteiras, placas de E.V.A., almofadas ou outros materiais que permitam a organização de uma roda com todos os integrantes da turma para os momentos de bate-papo, de programação do trabalho em grupo etc.
• Local para pendurar mochilas e pertences pessoais, devidamente identificados.
Materiais alternativos
• Jogos confeccionados pela professora para as crianças.
• Jogos confeccionados pelas crianças.
• Brinquedos confeccionados pela professora para as crianças menores.
• Brinquedos construídos pelas crianças.
• Ateliê móvel.
• Cadeira-boneco e outras esculturas de montar.
• Móbiles e outros penduricalhos.
Espaço de parque
Sugestões de brinquedos de parque
• Canto de areia.
• Balde, pás e outros acessórios para brincar na areia ou na terra.
• Bacias, minipiscinas com água para brincar com barquinhos ou para molhar a areia.
• Regadores e funis.
• Caixa com potes e outras sucatas.
• Bolas.
• Cordas.
• Bambolês.
• Brinquedos para o faz-de-conta.
• Tecidos coloridos para cabanas.
• Cata-vento.
• Caixa com giz para riscar amarelinha.
• Tocos de madeira para montar pistas e caminhos com obstáculos.
• Pneus coloridos com furos para evitar o acúmulo de água.
• Canto com vasos ou jardim.
 
Fonte/Referência:
- Trecho do Programa Capacitar Educadores/Instituto Avisa Lá/Instituto C&A.
- Blog Educação Infantil Um mundo a Descobrir

quarta-feira, 10 de abril de 2013



HORA DO SONO E REPOUSO DAS CRIANÇAS

 

A supervisão do adulto é obrigatória em todos os momentos do dia, com especial atenção à hora do sono das crianças.

O sono é indispensável para o desenvolvimento das crianças. Porém a sua necessidade muda de criança para criança e de acordo com a idade delas. O sono da tarde tem características próprias, portanto não devemos recriar um ambiente noturno, Completamente escuro e totalmente silencioso. A criança precisa conviver com os barulhos naturais do ambiente. Sugere-se apenas quebrar a luminosidade e diminuir o ritmo de toda a escola para que as crianças sintam-se convidas a descansar, a relaxar.

      A relação afetuosa entre todos da escola contribui para o desenvolvimento da criança. Fazer carinho, acariciar os cabelos, deitar ao lado da criança, não forçar o sono.

 

Sons

A música precisa estar sempre a favor do trabalho pedagógico. Entretanto, o som não deve estar tão alto que não permita às crianças falarem e ouvirem umas às outras. A seleção musical deve ser adequada à faixa etária, composta por músicas do repertório popular e clássico.

Especialmente nos momentos de repouso e alimentação das crianças, evitar o som alto e dispersivo e/ou ruídos estridentes. Músicas clássicas são uma excelente opção.

Procure sempre se dirigir às crianças com voz calma e acolhedora, transmitindo segurança e proteção.

  

Portas

Mantenha as portas e as janelas abertas, inclusive nos dias frios, para evitar o aumento de germes no ar, o que facilita a transmissão de doenças.

 

Berços e Cercados

Os lençóis precisam estar bem ajustados ao colchão, evitando que o rosto do bebê possa ser encoberto.

Mantenha o colchão do berço na graduação mais baixa possível, evitando quedas.

Cada criança deverá ter seu próprio lençol que será utilizado sempre que necessário e, quando retirado, deverá ser guardado em um saco protetor.

Os berços e os cercados de bebês poderão ser usados por mais de uma criança, porém em horários diferenciados, desde que a troca de lençóis seja respeitada.

 

O uso individualizado dos lençóis é um direito da criança, contribui para a constituição de sua identidade e previne a transmissão de doenças contagiosas da pele (por exemplo: escabiose) e couro cabeludo (por exemplo: pediculose).

 

Lavagem das Roupas de Cama

Roupas de cama precisam ser lavadas na maior freqüência possível, pelo menos duas vezes por semana e sempre que houver necessidade.

 

Distância entre Berços ou Colchonetes

A distância deve ser de, aproximadamente, 50 cm entre eles, permitindo a passagem de um adulto.

No caso de colchonetes, deite as crianças no mesmo sentido, evitando que rostos e pés se encontrem.

 

Higienização dos Colchonetes

Os colchonetes precisam ser higienizados semanalmente e sempre que necessário. Use para isto a solução adequada - um litro de água e um copinho de água sanitária ou álcool a 70%.

Retire e guarde os colchonetes em local apropriado. Você poderá empilhá-los, sem esquecer que precisarão ser higienizados antes do próximo uso. Cuidado para que não sirvam de degraus pelas crianças.

 

 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Organização do Espaço nos Berçários


 Organização do Espaço nos Berçários

O espaço deve ser aconchegante, acolhedor, acessível, estimulante, seguro, bonito e estruturado para que possibilite à criança ampliar suas experiências e se desenvolver em todas as dimensões humanas: afetiva, motora, cognitiva, social, imaginativa, lúdica, estética, criativa, expressiva e lingüística. Deve favorecer as interações dos grupos de crianças e permitir oportunidades de escolha.

 
Organizar cantinhos ou locais de aprendizagem:

- área de biblioteca com acervo constantemente renovado;

- faz-de-conta;

- pintura;

- construção;

- música;

- teatro;


- área para roda de conversa, contação e leitura de histórias;

- local de roda de conversa diárias;

- atividades (jogos) na mesa;

- área de artes plásticas com organização funcional das tintas, papéis, massas de modelar;

- espaço de TV, com acervo de CDs e DVDs;

- local de guarda de material da criança e exposição de suas produções;

- área de descanso ou repouso.