quinta-feira, 4 de julho de 2013

Currículo da Educação Infantil

CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL



O currículo da educação infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, e a formação de habilidades para a aquisição de autonomia, de forma a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos idade.

A proposta curricular deve ser concebida a partir de integração de experiências que:

I - promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança;

II - favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical;

III - possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos;

IV - recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quantitativas, medidas, formas e orientações espaço-temporais;

V - ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades individuais e coletivas;

VI - possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar;

VII - possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais, que alarguem seus padrões de referência e de identidades no diálogo e reconhecimento da diversidade;

VIII - incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza;

IX - promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura;

X - promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não desperdício dos recursos naturais;

XI - propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifestações e tradições culturais brasileiras;

XII - possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos.
As relações sociais entre crianças e educadores e a articulação dos saberes das crianças com o conhecimento social e histórico, vivenciadas no cotidiano escolar, devem considerar a integralidade e indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural das crianças.

A organização do currículo na educação infantil compreende dois âmbitos:

I - formação pessoal e pessoal
a) Identidade e autonomia (autoestima; escolha; faz de conta; interação; imagem; cuidados; segurança; nome; independência e autonomia; respeito à diversidade e identidade de gênero);

II – conhecimento de mundo
g) movimento;

h) artes visuais;

i) música;

j) linguagem oral e escrita;

k) natureza e sociedade;

l) pensamento lógico-matemático.

São consideradas atividades permanentes da organização da rotina escolar:

I – recepção das crianças;

II – alimentação;

III – rodas de conversa;

IV – brincadeiras no espaço interno e externo;

V – rodas de história;

VI – higiene e cuidados com o corpo;

VII – sono;

VIII – atividades de música;

IX – oficina de desenho, pintura, recorte e modelagem;

X – atividades diversificadas com materiais e brinquedos de livre escolha;

XI – entrega das crianças para os pais e/ou responsáveis;

XII – organização da sala.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

O risco da creche de má qualidade


O RISCO DA CRECHE DE MÁ QUALIDADE

 

Nem sempre as crianças que frequentaram Creches terão resultados Escolares melhores no futuro do que aquelas que não tiveram esta oportunidade. Se a Creche não for de qualidade, o desempenho dos estudantes pode ser, inclusive, pior do que o alcançado por Alunos que não frequentaram essas unidades. A conclusão é de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Organização das Nações Unidas (ONU).
Especialistas analisaram as notas de matemática de crianças da 4ª série que participaram do Sistema de Avaliação de Educação básica (Saeb), em 2005, levando em consideração também a Escolaridade das mães. O objetivo era saber se ir à Creche trazia resultados positivos para as crianças.

 

Eles perceberam que, entre os filhos de mães com baixa Escolaridade, os que frequentaram Creches tiveram resultado pior no Saeb do que os que não frequentaram. O impacto positivo nas notas dos Alunos só ocorreu nos casos em que as mães das crianças estudaram pelo menos até os últimos anos do Ensino fundamental.

 

Segundo Daniel Santos, Professor de Economia da USP e um dos autores da pesquisa, uma das principais hipóteses para explicar o resultado é a baixa qualidade das Creches escolhidas por mães com menor Escolaridade.
- Acredito que a criança estimulada desde bem pequena tem resultado melhor. A questão é saber se a criança foi realmente estimulada. Muitas vezes, as Creches são depósitos delas, não estão prontas para estimular as crianças - afirma Santos.

 

De acordo com o especialista, a preocupação com o estímulo ao aprendizado nas Creches é recente, pois somente em 2006 elas passaram a integrar o sistema educacional. Antes, segundo ele, as instituições faziam parte da estrutura de assistência social e serviam apenas para alimentar, garantir a saúde das crianças e permitir que as mães pudessem trabalhar.
- Estamos num momento de transição. Grande parte das Creches ainda está no modelo antigo. Talvez a maioria delas ainda não dê estímulo às crianças. E o problema é que a chance de uma criança ir para uma Creche assim, sem estímulo, é maior entre os filhos de mães analfabetas. O mecanismo que deveria ser corretor de desigualdade acaba não sendo - diz Santos.


Na Inglaterra, um estudo de pesquisadores da Universidade de Londres e de Oxford chegou a resultados semelhantes. Os autores acompanharam um grupo de 3.000 estudantes, desde sua entrada na Pré-Escola até os 11 anos de idade. Eles também avaliaram 141 Pré-Escolas britânicas, e, após observações in loco , dividiram os estudantes entre aqueles que tiveram acesso a uma Pré-Escola de qualidade e os que não tiveram essa sorte. A conclusão foi que a qualidade da Pré-Escola era um forte indício do desempenho Escolar e comportamental dos estudantes. Mais importante: crianças que frequentaram Pré-Escolas de baixa qualidade não apresentavam ganho algum, se comparadas àquelas que sequer chegaram a frequentar Escolas na primeira infância.

 

Segundo a ONG Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o gasto com Creche no Brasil é menor do que o recomendado para que elas atendam a requisitos mínimos de qualidade. Dados aferidos em 2012 pela organização comprovam que uma Creche de período integral deve investir, por ano, R$ 8.804 por Aluno matriculado, para oferecer profissionais qualificados, espaço físico e materiais apropriados. No entanto, os gastos com Creche e Pré-Escolas informados pelo governo brasileiro à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi de US$ 1.696 (ou R$ 3.475, segundo a cotação atual). O valor deixa o país na terceira pior posição num ranking de 34 países.

 

De acordo com o Ministério da Educação, o valor mínimo que deveria ser investido por Aluno, em 2013, é de R$ 2.221,73. - O Brasil não percebe o quão importante é a Educação infantil, e investe pouco. O direito à Educação só é pleno quando alia acesso à qualidade. O direito à Creche, que envolve o direito à Educação da criança e o direito da família ao trabalho, por exemplo, é um elemento-chave para a qualidade de vida - disse Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.


Na opinião de Patrícia Mota Guedes, especialista em gestão educacional da Fundação Itaú Social, é preciso investir em qualificação e formação de profissionais que trabalham nas Creches, que, muitas vezes, não têm a Escolaridade indicada. Ela acrescenta que orientar o pais também é importante. - Para pais de mais baixa Escolaridade e em situação mais vulnerável, é difícil fazer escolhas sobre a Creche e avaliar a qualidade do serviço a que eles têm acesso. Pais menos Escolarizados muitas vezes acham que, se a Creche cuida da criança e a mantém saudável, isso significa que há qualidade - analisa Patrícia.

 

No Rio, a prefeitura tem construído Creches mais bem equipadas e com proposta de trabalho mais bem definida para crianças de regiões mais pobres e mais violentas na cidade. No final de 2009, começaram a ser construídos os Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI), que são mais amplos, têm melhor estrutura para atendimento e mais livros para crianças de 6 meses a 5 anos de idade. A fim de estimular mais os pequenos, os berços deram lugar a pisos onde eles podem dormir, brincar e aprender por meio de atividades lúdicas. A capital tem hoje 108 EDIs, com cerca de 150 Alunos, em média. A meta é construir outras 31 unidades até o fim do ano. - Além disso, passamos a orientar os Educadores a fazerem uma reserva de tempo para desenvolver atividades como ler histórias, folhear livrinhos e trabalhar com materiais com formas geométricas, por exemplo. Tem que haver essa reserva, senão o risco é que se gaste o tempo todo cuidando do bebê sem colocar o ato de educar junto - explica a secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin.

 

http://oglobo.globo.com/
Fonte: O Globo (RJ)

domingo, 26 de maio de 2013


Por que o excesso de sódio faz mal para as crianças?
Agora é oficial: a Organização Mundial da Saúde limita a quantidade de sódio para os pequenos. Entenda por que isso pode livrá-los de encrencas futuras.
 
Já passou a época em que a hipertensão era exclusividade de gente mais velha. A partir do momento em que os alimentos industrializados e ricos em sódio se popularizaram na mesa da meninada, até a pressão alta se tornou cada vez mais precoce. Não por menos esse hábito alimentar chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS), que está preocupada com os casos de pressão nas alturas na infância.

Em relatório recém-divulgado, a entidade alerta para o distúrbio que tem enorme probabilidade de se perpetuar na vida adulta. E é aí que entra o sódio, um dos principais responsáveis pela elevação permanente da pressão arterial. O mineral, que estende o prazo de validade dos alimentos, está presente na maioria dos produtos consumidos (e adorados) pelas crianças, como bolachas recheadas, pães, comidas de fast food e, óbvio, nos célebres salgadinhos, que não receberam esse apelido à toa.

A OMS passa a recomendar uma ingestão de menos de 2 gramas de sódio por dia para meninos e meninas entre 2 e 15 anos. Para ter uma ideia, um único lanche com hambúrguer, queijo, catchup, maionese mais um copo de refrigerante chegam muito perto dessa cota diária. A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que entre 6 e 8% das crianças brasileiras já são hipertensas.
A solução para prevenir ou contra-atacar tanto o ganho de peso como a pressão nas alturas não tem muito segredo: é manter, desde pequeno, hábitos saudáveis. Os cuidados, aliás, começam na amamentação. O conselho é dar preferência a alimentos não industrializados, que possuem uma quantidade do mineral suficiente para as necessidades do organismo. "O ideal é que, no preparo da refeição, não se adicione nada de sal", orienta a nutricionista Regina Pereira. "Se a criança é acostumada a refeições salgadas, seu paladar vai se adaptar a esse padrão."
A orientação para os pais é retardar e reduzir a oferta dos industrializados à meninada, tirar o saleiro da mesa e... servir de modelo. São medidas que contribuem para criar um garoto que não vai depender tanto das pitadas de sódio para sentir prazer à mesa e ter uma pressão controlada.
Por que o excesso de sódio eleva a pressão da criança?
Quando o pequeno consome muito sal, o organismo passa a reter mais líquido para lidar com a sobrecarga de sódio. Daí aumenta o volume de sangue no interior das artérias.

Além disso, o sódio carrega moléculas de cálcio para a parede interna dos vasos, o que intensifica a contração deles e, com o tempo, torna-os mais espessos e menos flexíveis.
Com as artérias mais contraídas e o maior fluxo de sangue correndo lá dentro, ocorre a chamada resistência à circulação sanguínea. Traduzindo: a pressão no interior dos vasos aumenta de forma permanente. E a hipertensão dá as caras.
Potássio amigo
A OMS recomenda aumentar o consumo do nutriente para 3,5 gramas por dia. Ou seja: capriche nas frutas e verduras, onde mora o mineral. Ele ajuda o coração a trabalhar, facilita a dilatação dos vasos e induz a excreção de sódio pelos rins.

Fontes: Dante Giorgi, nefrologista do Instituto do coração de são paulo e conselheiro da sociedade brasileira de hipertensão; Aline maria pereira, nutricionista professora do setor de medicina do adolescente.
Joana Alves

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Organização do espaço

O espaço físico é um grande aliado dos educadores na educação de crianças pequenas. É necessário investir tempo, energia e algum recurso para assegurar o bem-estar físico, a segurança, as aprendizagens e principalmente o conforto nos Centros de Educação Infantil.

Há diferentes formas de organizar os ambientes educativos para que eles possam tornar-se aconchegantes, seguros e desafiadores ao mesmo tempo.

A seguir damos algumas sugestões. Cantos de atividades diversificadas. Organizar diferentes atividades, por um período do dia, em um mesmo ambiente é uma possibilidade bem interessante. Quando a sala é organizada em “cantos” configura-se uma estratégia de organização e planejamento de atividades que possibilita ao professor conhecer melhor as crianças, acompanhá-las em suas aprendizagens, observar as suas necessidades e replanejar sua ação com maior segurança.

 
O que são:

• Atividades permanentes com frequência diária.

• Organizadas por temas, por materiais, por conteúdos.

• Organizadas pelo adulto e pelas crianças.

• Permitem que as crianças escolham o que fazer.

• Permitem que as crianças escolham seus parceiros para brincar.

Princípios norteadores:

• Respeito às escolhas das crianças.

• Incentivo à autonomia.

• Ampliação cultural.

Ações do professor:
 
 

• Viabilização de interações frutíferas entre as crianças, e entre elas e os objetos.

• Acesso a materiais e produções da cultura.

• Equilíbrio entre a constância de materiais e a diversidade.

• Incentivo à individualidade e aos agrupamentos.

• Incentivo à descoberta de cantos desconhecidos.

• Observação da atuação infantil.
 

O que as crianças aprendem:

• Escolher, tomar decisões.

• Agir com pouca ajuda do professor, em parceria com outras crianças ou sozinha.

• Cooperar, compartilhar.

• Brincar, imaginar, construir cenários lúdicos, papéis para o jogo simbólico.

• Colocar e negociar seus interesses e necessidades.

• Cuidar da organização do ambiente e dos materiais.
 
 

Possibilidades de cantos:
 
 

• Ambientes para brincar de faz-de-conta (alguns exemplos):

– heróis;

– príncipes e princesas;

– lojinha;

– escola;

– casinha;

– salão de beleza para meninos e meninas;

– feira;

– supermercado;

– papelaria;

– caminhoneiro;

– peão.

• Ambientes para expressar-se graficamente:

– desenho com papel e caneta hidrográfica e/ou giz de cera, lápis de cor;

– pintura;

– colagem;

– modelagem.

• Ambientes para ler:

– canto com livros de poesia, jornais, enciclopédia, contos de fadas, gibis.

• Ambientes para jogar:

– jogo de percurso, de memória, quebra-cabeça, baralho etc.

 

 

Perguntas frequentes:

 

O que a organização de cantos de atividades diversificadas oferece às crianças?

Essa modalidade de organização da sala ensina a criança a escolher e tomar decisões, responsabilizando-se por suas escolhas. É um momento privilegiado no qual ela pode agir de forma mais autônoma, justamente porque o professor abre mão de dirigir a atividade que está sendo proposta, compartilhando com as crianças a própria organização/coordenação da atividade. Nesse momento cabe às crianças a organização da sala, dos materiais, da escolha do que fazer, da negociação pela posse de brinquedos etc., com a ajuda do professor. Assim as crianças aprendem a cooperar, compartilhar, agir por conta própria.
A organização da sala em cantos de atividades diversificadas não deixa de ser por si só um importante aprendizado para as crianças: aprendem a transformar o próprio ambiente e a saber que muitos mundos cabem numa simples sala de grupo! Podem virar as mesas ao contrário e enrolar um pano em volta para formar um barco ou então empilhar mesas viradas ao contrário umas sobre as outras e passar um barbante circundando os pés da mesa virados para cima para fazer uma barraca de feira; é possível colocar almofadas aconchegantes num canto para ler; podem delimitar um pedaço de chão com caixotes para fazer uma pista para arremessar bolinhas de gude sem deixar espalhá-las pela sala; enfim, possibilita muitas propostas que ocorrem ao mesmo tempo.
A organização dos cantos de atividades diversificadas não é só um momento de aprendizagem da criança, é também do professor, que aprende a segurar seu impulso de estar sempre dirigindo e controlando a situação. Ele permite que as crianças dêem conta de gerenciar o momento. Esta forma de organização possibilita que o professor observe melhor as crianças, suas potencialidades e dificuldades, já que está mais disponível para isso.
 

Quanto tempo da rotina deve ser destinado aos cantos de atividades diversificadas?
 
 

Para responder a esta questão temos que pensar na grade de horários da escola ou do CEI, equilibrar o tempo destinado à roda de conversa, roda de história, momento para realizar as atividades dos projetos e as permanentes.
Assim sendo, um tempo razoável seria entre 50 minutos e 1 hora, no qual as crianças pudessem circular por diversos cantos ou escolher alguns deles para ficar. Um momento que permite a exploração, a dedicação maior a determinadas atividades, sem direção única pelo adulto, o que às vezes pode tornar uma atividade improdutiva, repetitiva ou cansativa. É sempre bom terminar uma atividade com gosto de “quero mais” para o dia seguinte. Poder ter uma constância de propostas que vão sendo incrementadas ao longo do tempo ajuda as crianças a aprofundar seus conhecimentos, tanto no que diz respeito à natureza lúdica das propostas quanto aos conhecimentos que lhes são proporcionados na interação com os objetos e as outras crianças.

 

Por que reservar um momento diário para tal finalidade?

Reservar um momento diário permite que as crianças aprendam a tomar decisões, compartilhar, realizar escolhas, e também se apropriem mais do espaço da sala, uma vez que ajudam a construir os cantos, organizando-os e incrementando- os com suas idéias e propostas.
Algumas professoras, quando fazem essa pergunta, acham que podem substituir o espaço diário dessa proposta (cerca de 1 hora), por um único dia da semana destinado inteiramente aos cantos de atividades diversificadas. Entretanto, é melhor a constância da proposta em menor tempo, até para compartilhar com outras tantas atividades necessárias no dia-a-dia, do que desenvolver a proposta num dia inteiro. É importante intercalar momentos nos quais a condução da sala seja realizada apenas pelo professor com outros, compartilhados com as crianças. (Essa proposta não se confunde com a das salas ambientes, na qual cada sala possui uma proposta específica, de tal forma que as crianças rodiziam, em grupo, durante o dia em cada uma delas.)

 

“Não tem material na minha escola para fazer cantos de atividades diversificadas.” O que fazer?
Mais do que material, é preciso ter propostas e ideias. Muito da falta de material diz respeito à falta de ideia do que fazer em sala com o grupo.
O professor está tão acostumado com lápis e papel que tem pouca intimidade com outros materiais. Faz-se necessário retomar suas próprias brincadeiras de infância, lembrar o quanto se improvisava com qualquer recurso disponível.
Assim sendo, por exemplo, sobras de uma marcenaria podem compor um divertido jogo de monta - tudo. Essa proposta é incrementada agregando-se a ela livros de castelos, de parques em diferentes países, para que as crianças tenham que bolar, com os retalhos de madeira, construções variadas. Com esses mesmos retalhos e cola é possível fazer móveis para casinha de bonecas.
As crianças podem colar E.V.A., tecidos, sobre as madeiras para compor diferentes móveis. Pode-se ainda sugerir que com os mesmos retalhos façam uma pista para rolagem de pião, ou então que construam a torre mais alta que conseguirem e medirem a altura para colocar em um livro de recordes; enfim, o professor precisa desenvolver sua criatividade, sondando com as crianças suas preferências para propor ao grupo outras possibilidades de explorar os cantos de atividades diversificadas.
 

Espaço das salas de grupos
 
 

 

Sugestões de materiais para as salas de crianças de 4 meses a 2 anos
• Mural, da altura das crianças, organizado para usos diversos, contendo:
– fotos das crianças, trazidas de casa e ou feitas na escola, identificadas com o nome de cada uma delas;
– fotos das crianças em diferentes situações sociais (aniversários, passeios, com animais de estimação, com familiares);
– reprodução das capas dos livros que foram lidos ou das histórias que foram contadas;
– imagens instigantes e visualmente interessantes do ponto de vista estético.
• Calendário de uso social para marcação de:
– aniversariantes da turma;
– compromissos e combinados especiais.
• Relógio comum de uso social, como um portador numérico para que as crianças observem o seu uso pelo educador.
• Brinquedos que possam ser levados à boca sem perigo (de plástico ou de borracha com selo do Inmetro).
• Brinquedos que produzam som (chocalhos).
• Brinquedos de empilhar e encaixar (blocos, cubos).
• Brinquedos de correr atrás (bolas, cilindros).
• Colchonetes e almofadas (com capas laváveis).
• Móbiles e estábiles (as salas podem ter muitos ganchos em diferentes lugares para pendurar panos, tules, cortinas sonoras etc.).
• Tapetes de atividades com bolsos, guizos, espelhos, quadros de panos de diferentes texturas.
• “Estante” para livros, tipo sapateira, com bolsões transparentes para que as crianças identifiquem os livros de histórias.
• CDs com música de diferentes gêneros.
• Espelho de tamanho suficiente para que duas ou três crianças possam se ver inteiras.
• Obstáculos que provoquem diferentes movimentos: subir, descer, trepar, agachar, arrastar, escorregar.
A organização do espaço educativo reflete as concepções de criança, ensino e aprendizagem das instituições. As formas como as salas estão organizadas a disposição dos móveis, a acessibilidade aos brinquedos, aos livros, a exposição ou não das produções infantis, a “decoração” são indícios reveladores sobre como as crianças são vistas e consideradas.
• Cantos diversos:
– de brinquedos e jogos, organizados de acordo com os usos das crianças;
– ambientados para o jogo de casinha e os demais jogos de faz-de-conta preferidos da turma;
– com locais reservados ou reversíveis para momentos de repouso, sempre muito flexíveis nos primeiros anos de vida;
– confortáveis, forrados com tapete, placas de E.V.A. ou outro piso confortável que permitam a acomodação das crianças em roda para o bate-papo diário;
– materiais de construção: blocos de madeira, caixas de papelão, Lego®, monta - tudo e outros;
– bonecas e seus acessórios: mamadeira, fraldas para trocar, banheira, sabonete, toalha, pente, roupas etc.;
– com mesas e cadeiras para atividades que requeiram uma acomodação diferente e permitam práticas como desenho, modelagem com massinha etc.;
– com livros de histórias, poesias, cantigas etc.;
– com tapete, esteira, almofada ou outro piso que delimite o espaço e transmita uma sensação de conforto.
• Local para pendurar mochilas e pertences pessoais devidamente identificados.
• Mural para os recados da professora: lembretes, restrições alimentares das crianças, recomendações para o preparo de mamadeiras, receita médica de alguma criança etc.
 

Sugestões de materiais para as salas de crianças de 3 a 5 anos
• Vários murais ou um mural organizado para usos diversos, como:
– exposição de produções infantis, devidamente identificadas;
– fixação ou exposição de produções de crianças ou materiais que estão sendo pesquisados num determinado momento do ano;
– os recados da professora (lembretes, receita médica de alguma criança etc.);
– painel de fotos da turma.
• Lista de nomes das crianças da turma (cartaz com filipetas escritas em letra-bastão, de uma só cor, mesmo padrão de tamanho para todos os nomes, sem fotos ou outras imagens).
• Lista dos aniversariantes da turma.
• Calendário.
• Agenda de compromissos e registro da programação diária para ser utilizada pelas crianças.
• Relógio.
• Estante de brinquedos e jogos, devidamente identificados para facilitar o uso pelas crianças.
• Espaço para a ambientação do jogo simbólico da turma (a própria sala pode ser ambientada segundo os temas estudados).
• Cantos de materiais para jogo simbólico.
• Estante ou caixa com materiais de uso coletivo contendo:
– canetas variadas;
– borracha;
– lápis variados;
– réguas;
– clipes;
– prendedores;
– barbante;
– fita crepe e durex.
• Biblioteca de sala (estante, painel com bolsos ou outras soluções) contendo, de maneira organizada:
– livros;
– revistas;
– gibis;
– jornais;
– catálogos diversos;
– painel para fixar as sugestões de leitura das próprias crianças, bem como artigos de jornal, de interesse da sala;
– tapete, esteira, almofada ou outro piso que delimite o espaço e transmita uma sensação de conforto.
• Na ausência de espaço para a roda, é preciso pensar em acessórios tais como esteiras, placas de E.V.A., almofadas ou outros materiais que permitam a organização de uma roda com todos os integrantes da turma para os momentos de bate-papo, de programação do trabalho em grupo etc.
• Local para pendurar mochilas e pertences pessoais, devidamente identificados.
Materiais alternativos
• Jogos confeccionados pela professora para as crianças.
• Jogos confeccionados pelas crianças.
• Brinquedos confeccionados pela professora para as crianças menores.
• Brinquedos construídos pelas crianças.
• Ateliê móvel.
• Cadeira-boneco e outras esculturas de montar.
• Móbiles e outros penduricalhos.
Espaço de parque
Sugestões de brinquedos de parque
• Canto de areia.
• Balde, pás e outros acessórios para brincar na areia ou na terra.
• Bacias, minipiscinas com água para brincar com barquinhos ou para molhar a areia.
• Regadores e funis.
• Caixa com potes e outras sucatas.
• Bolas.
• Cordas.
• Bambolês.
• Brinquedos para o faz-de-conta.
• Tecidos coloridos para cabanas.
• Cata-vento.
• Caixa com giz para riscar amarelinha.
• Tocos de madeira para montar pistas e caminhos com obstáculos.
• Pneus coloridos com furos para evitar o acúmulo de água.
• Canto com vasos ou jardim.
 
Fonte/Referência:
- Trecho do Programa Capacitar Educadores/Instituto Avisa Lá/Instituto C&A.
- Blog Educação Infantil Um mundo a Descobrir

sexta-feira, 26 de abril de 2013


Cuidados e Conteúdos na Creche


"Unir cuidados e conteúdos é oferecer ao mesmo tempo afeto e Educação desde os primeiros anos de vida"

BEATRIZ FERRAZ

Beatriz Ferraz já foi dona de escola de Educação Infantil e criou o centro de estudos Escola de Educadores, em São Paulo. Há cinco anos, trabalha com o Projeto Didática, Informação, Cultura e Arte, de formação continuada, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo (nos últimos três, atuando como coordenadora). Em sua tese de doutorado, estuda o conhecimento profissional de educadoras de creche com o objetivo de compreender o que aconteceu quando o foco mudou do bem-estar para a Educação. "Ao pensar em cuidados de cunho pedagógico, muitos deixaram para trás o colo e o afeto, questão essenciais à constituição saudável do bebê", diz. Nesta entrevista, Beatriz fala sobre essa polarização e o perfil ideal do profissional para esse segmento.

Como funcionam as creches hoje?

BEATRIZ FERRAZ Há dois modelos mais comuns. Um com foco nos cuidados (o bem-estar físico e as questões biológicas) e outro que usa a pré-escola como referência (foco nos conteúdos curriculares). E ambos têm problemas. No primeiro, a creche se organiza em torno das refeições e da higiene. A troca de fralda não é feita de acordo com a necessidade. Ela tem hora marcada. Como sempre, há muitos bebês e crianças pequenas sendo trocados e ninguém dá conta de todos ao mesmo tempo. Alguns ficam esperando, sem nada para fazer. Já o segundo exagera na escolarização. Professores não propõem atividades de Matemática para que os pequenos explorem materiais relacionados ao assunto, mas para aprender a contar. Na hora do banho, muitos querem ensinar sobre as partes do corpo, quando o correto é estimular os pequenos a participar desses momentos com mais autonomia, fazê-los entender a importância da higiene e ajudar com pequenas ações, como lavar as mãos e levantar os braços.

Qual o modelo mais indicado, então?

BEATRIZ O ideal é encontrar o meio-termo entre os cuidados e a escolarização. Há muitos benefícios no primeiro modelo porque os professores são sensíveis ao carinho, ao acolhimento e ao vínculo, fundamentais nessa época da vida. No segundo, o bacana é entender que as crianças são competentes, ativas e produtoras de cultura. Mesclar isso é a chave.

Os pais entendem essas diferenças?BEATRIZ Sim. E sofrem com a polarização. A referência que eles têm é a da escola regular. Mas, quando encontram essa escolarização na creche, sentem falta do colo, do afeto, da emoção. Ao mesmo tempo, muitas famílias acham que as crianças, desde cedo, devem ter cadernos e atividades de linguagem. É papel do profissional de Educação Infantil explicar essa dupla função da escola para os pequenos.

Quais são os ingredientes de uma boa proposta pedagógica?
BEATRIZ É fundamental inteirar-se sobre a concepção de bebê e criança pequena. Existe um discurso mais difundido sobre a pré-escola: os meninos e as meninas são ativos, construtores de cultura, fazem escolhas e tomam decisões. Para a creche, é essencial definir os grandes marcos do desenvolvimento: sentar, engatinhar, andar, falar, desfraldar etc. Da mesma forma, a boa proposta pedagógica deve contemplar que esses sujeitos tenham possibilidades de interação (e não sejam tratados como passivos, completamente dependentes dos adultos, sem outra necessidade além das básicas). Estudar o que os teóricos deixaram é outro ponto. O que Jean Piaget (1896-1980) queria dizer com o período sensório-motor? E Lev Vygotsky (1896-1934), ao afirmar que o bebê é um sujeito social? Nenhum deles disse que os pequenos precisam aprender a contar ou a segurar o lápis. Por isso, acredito que uma proposta pedagógica para a creche deve ter espaço para a formação de valores, a constituição da criança como sujeito, as relações sociais e as questões de vínculo, segurança e afeto. Todos devemos estar conscientes de que os bebês conhecem o mundo em todas as suas facetas: cheiros, gostos, formas, texturas, sons - e só depois vão organizar esse conhecimento.

Como os bem pequenos aprendem na Educação Infantil?
BEATRIZ Sempre de forma ativa. Na relação com as pessoas, os objetos, o ambiente, outros bebês ou crianças mais velhas. É preciso valorizar a exploração e a manipulação, investindo em materiais que possibilitem isso, como os brinquedos. Um cubo áspero de um lado e escorregadio de outro permite que o bebê entenda essas diferenças. Os pequenos também aprendem fazendo escolhas. O francês Gilles Brougère diz que o bebê já sabe se deseja ou não brincar. Quando não quer, chora. Quando quer, estica a mão, mexe a perna, dá um grito. É importante respeitar esse interesse. Além disso, é fundamental entender que não é o professor que ensina a criança a explorar e escolher. Isso acontece naturalmente. Seu papel é propiciar oportunidades. Daí a importância do ambiente para garantir a interação com segurança e conforto.

Como deve ser o espaço da creche?

BEATRIZ Ele deve ter diferentes objetos motivadores, como brinquedos e outros materiais que ofereçam diversas experiências. Não é preciso ter seis bonecas na sala porque há seis crianças. Existe essa idéia de que elas têm dificuldade de dividir. Na verdade, elas vêem o objeto do outro e querem brincar junto para interagir.

Quais são as qualificações pessoais mais importantes para trabalhar em creche?

BEATRIZ Gostar das crianças é essencial, mas não basta. A pessoa tem de estar preparada para cuidar e educar. Precisa saber lidar com imprevistos, se relacionar bem com outras pessoas e ter ética. Não é admissível tirar a mamadeira da boca de um bebê, colocá-lo no berço e se despedir só porque está na hora de ir embora.

Como deveria ser a formação inicial?

BEATRIZ Para começar, a expressão cuidado deve ser entendida como cuidar e educar. Também é importante saber trocar fralda, dar banho, segurar no colo e ter noções de primeiros socorros. É essencial entender como se dá o desenvolvimento humano dentro de situações coletivas, como a escola, e ser formado para refletir sobre a própria prática.


 

quarta-feira, 17 de abril de 2013



PRIMEIROS SOCORROS

 

Devemos sempre prevenir os acidentes e situações que possam provocar riscos às crianças. No entanto, precisamos também conhecer o que fazer para auxiliá-las caso algo inesperado aconteça.

O que fazer se acontecerem ACIDENTES?

1.  Manter a calma, evitando tumulto sobre a criança;

2.  Comunicar os pais imediatamente;

3.  Providenciar o atendimento médico.

Vejamos algumas condutas essenciais ao bem estar da criança em algumas situações de risco:

 

ENGASGO E ASPIRAÇÃO DE CORPO ESTRANHO

 

Corpo estranho é qualquer objeto ou substância que entra no corpo humano indevidamente. Pode ser através da ingestão ou colocado pelas próprias crianças nas cavidades (nariz, ouvido) do corpo, e apresenta maior risco quando é aspirado para o pulmão. Qualquer objeto pode tornar-se um corpo estranho no sistema respiratório, e a maior suspeita de que o acidente ocorreu é o engasgo. Isto acontece quando a criança está comendo ou com um objeto na boca, principalmente objetos com pequenas peças. 

         Estas situações ocorrem mais frequentemente na faixa etária de um a três anos de idade. É preciso ter atenção especial na oferta de alimentos. A criança pequena ainda não controla adequadamente a mastigação e a deglutição, tornando o engasgo mais freqüente. Por esta razão, a oferta de alguns alimentos como amendoim, milho, pipoca, melancia e laranja com sementes apresentam maior risco para a aspiração.

         Algumas recomendações são importantes para evitar aspiração de corpo estranho na alimentação:

- Ofereça alimentos em pedaços pequenos, de acordo com cada faixa etária. Ensine as crianças a mastigar bem os alimentos.

- Evite alimentos como sementes, amendoim, balas duras e outros que possam favorecer o engasgo.

- Retire as sementes das frutas (melancia, laranja etc).

- A criança deve alimentar-se sempre sentada. Não ofereça alimentos enquanto elas correm, andam ou brincam.

 

Como reconhecer o engasgo?

Tosse persistente, chiado no peito, falta de ar súbito, rouquidão, lábio e unhas arroxeadas, são sinais sugestivos de que pode ter ocorrido aspiração de corpo estranho.

 

O que fazer?

Técnica de desobstrução das vias aéreas:

        

Crianças menores de um ano

Segure a criança com a cabeça mais baixa, apoiada em um dos braços, sobre a perna. Mantenha as vias aéreas livres.

cinco percussões com a mão nas costas (entre as escápulas). Após, vire a criança de barriga para cima e dê cinco compressões no tórax. Repita estas manobras até que a criança consiga expelir o corpo estranho. (vide figura).


Se você conseguir visualizar o corpo estranho na boca da criança, retire-o com cuidado. Não coloque o dedo na boca às cegas, pois pode empurrar o corpo estranho para regiões mais baixas das vias aéreas e piorar o quadro de obstrução.

 

Maiores de um ano

 

Manobra de Heimlich

Se a criança é capaz de falar ou tossir com força, você não deve fazer a manobra de Heimlich. A vítima de asfixia vai precisar de ajuda imediata, se ela não pode falar ou tossir, está tendo dificuldade em respirar ou tem lábios, pele e unhas tornando azul escuro.

Posicione-se por trás da criança e aplique pressão abaixo das costelas, com sentido para cima, até que o corpo estranho seja deslocado das vias aéreas para a boca e expelido. Não comprima as costelas. (vide figura)

        
 

 

 

CONTUSÃO

Envolver pedaços de gelo em um pano e aplicar no local.

Comunicar os pais.

Se a pancada foi na cabeça, observar se a criança vomita e se está sonolenta e confusa. Neste caso, levar imediatamente ao serviço de saúde.

        

FRATURAS

Identificar se a criança mexe parcialmente ou não consegue mexer a perna ou o braço afetado;

Evitar mexer na criança, principalmente se suspeitar de fratura na coluna, mantenha-a deitada no local da queda e chame o serviço de emergência. A mudança de posição em uma criança com fratura de coluna pode causar graves problemas como a paralisia das pernas.

 

         FERIMENTOS

Nos ferimentos leves, fazer limpeza no local com água e sabão, retirando a sujeira;

Secar o ferimento com gaze ou um pano limpo;

Evite abafar o ferimento;

Comunicar os pais.

 

QUEIMADURAS

Todas as queimaduras devem ser tratadas imediatamente. Em muitos casos elas são dolorosas e deixam seqüelas.

A queimadura por líquido quente é a principal causa em crianças menores de cinco anos, logo, a prevenção é a medida mais eficaz.

Existem três tipos de queimaduras:

1º grau – são aquelas causadas pelo sol ou pela água quente e a área atingida fica só vermelha;

2º grau – são queimaduras mais profundas e causam aparecimento de bolhas e algum extravasamento de soro;

3º grau – são graves, atingindo as camadas mais internas do organismo (músculos, vasos sanguíneos ou nervos).


Possíveis Causas de Queimaduras

 

Preparo do banho

A temperatura ideal para o banho do bebê deve ser testado com a face interna do antebraço do educador, antes de colocá-lo na banheira. A criança maior não deve regular a temperatura do chuveiro ou da água da banheira sozinha.

 

Mamadeiras

Não esquente as mamadeiras no forno de microondas, pois há riscos graves de queimaduras da boca e da garganta.

 

 

Alimentos

Verifique a temperatura dos alimentos antes de oferecê-los.

 

Tomadas e Fios Elétricos

Tomadas e fios desencapados representam risco de choque elétrico.

 

Cozinha

Cozinha não é lugar de criança.

 

Álcool e outros Combustíveis

Deixar longe do alcance das crianças.

 

Primeiros cuidados:

Até que se tenha atendimento médico, algumas medidas são importantes:

- Retire as roupas que cobrem a área queimada. Se a roupa estiver grudada, lave a região com água limpa até que o tecido possa ser retirado delicadamente sem aumentar a lesão.

- Coloque na área queimada água limpa e fria, porém não gelada, para aliviar a dor. Esta vai limpar aferida, diminuir a dor e reduzir a formação do edema posteriormente.

- Envolva a região em pano limpo e procure atendimento médico.

- Não use gelo nas queimaduras, não fure as bolhas, não coloque qualquer substância em cima da queimadura sem orientação médica, pois pode favorecer infecção.

- No caso de queimadura elétrica, desligue o interruptor, remova a criança do condutor, verifique os sinais vitais (respiração, pulsos), resfrie as lesões com água fria e encaminhe ao serviço médico.

 

QUEDAS

As quedas são as principais causa de atendimento de crianças de 0 a 9 anos de idade nas unidades de saúde.

Cair faz parte do desenvolvimento da criança, porém medidas de prevenção são importantes para evitar acidentes graves.

A supervisão de um adulto é essencial, pois a maioria das quedas está associada à ausência de um cuidador.

Ao atender uma criança mantenha-se calmo para passar tranqüilidade para ela.

Observe a altura de onde a criança caiu, a região do corpo que recebeu o impacto da queda, o local aonde a criança caiu e como a criança está reagindo.

Sonolência, desorientação, estrabismo, pupilas de tamanhos desiguais, saída de líquido ou sangue pelo nariz ou ouvido, vômitos, são sinais de gravidade, necessitando entrar em contato com um serviço médico para remoção da criança.

 

CONVULSÃO INFANTIL

As convulsões são um transtorno neurológico súbito e transitório. Convulsão pode ser um sinal de várias doenças.

A causa mais comum de convulsão entre crianças de 6 meses a 5 anos é a febril. Esta geralmente dura poucos minutos e cessa sem necessidade de medicamentos específicos.

No momento da convulsão, a criança pode apresentar-se de várias maneiras:

- Olhar alheio ao meio, virada de olhos, movimentação de mãos e pés, piscar de olhos, tremores, lábios e extremidades arroxeadas, entre outros.

Após a convulsão a criança pode voltar ao normal rapidamente ou ficar sonolenta.

Como a crise convulsiva costuma ser um momento muito estressante para quem está observando, a pessoa que vai atender a criança deve manter-se calma.

Medidas de proteção para a criança devem ser realizadas no momento da crise:

- Deitar a criança evitando quedas e traumas;

- Afrouxar as roupas;

- Observar a respiração;

- Proteger a cabeça da criança com a mão, roupa ou travesseiro;

- Lateralizar a cabeça para evitar que a criança aspire saliva ou vômito;

- Limpar as secreções que se acumulam na boca para facilitar a respiração, porém não coloque o dedo dento da boca da criança, pois esta pode feri-lo;

- Não ofereça nada pela boca (líquidos, remédios) no momento da crise.

Entre em contato com a família e um serviço de emergência para posterior atendimento e orientação.

 

LESÃO NO OLHO

Um lesão no olho pode ocorrer a qualquer momento, em qualquer lugar. Prevenção adequada é importante e provavelmente poderia eliminar a maioria das lesões oculares.

Cerca de 50% das lesões ocorrem em atividades esportivas e recreativas – mais frequentemente em crianças e adolescentes do que qualquer outro grupo de idade.

Se houver uma lesão química, lave os olhos e a face com qualquer fonte disponível de água por pelo menos 10-15 minutos. Entre em contato com a família e encaminhe imediatamente a criança para o atendimento médico. Se um objeto afiado penetrou o olho (como um gancho de peixe), não puxe-o para fora. Outras lesões sem corte pontiagudos devem ser examinadas por um oftalmologista, uma vez que a gravidade da lesão pode não ser imediatamente aparente.
 
Referências:
AMERICAN ASSOCIATION FOR PEDIATRIC OPHTHALMOLOGY AND STRABISMUS. O que deve ser feito se uma criança tem uma lesão no olho. Disponível em   http://www.microsofttranslator.com/bv.aspx?from=en&to=pt&a=http%3A%2F%2Fwww.aapos.org%2Fterms%2Ffaqs%2F20Acesso em 07 mar 2013.
 
REVISTA BEBÊ.COM.BR. Refluxo em Bebê. Disponível em http://bebe.abril.com.br/materia/refluxo-em-bebes. Acesso em 21 mar. 2013.
BABYCENTER. Refluxo no Bebê. Disponível em http://brasil.babycenter.com/a2100147/refluxo-no-beb%C3%AA#ixzz2OBV0iA7x. Acesso em 21 mar 2013.
 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Crianças e Adolescentes Seguros. Guia Completo para Prevenção de Acidentes e Violências. Coordenadores: Renata D. Waksman, Regina M. C. Gikas e Wilson Maciel. Editora PubliFolha, 2005.