sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Identidade e Autonomia: Construindo no Espaço Escolar


IDENTIDADE E AUTONOMIA: CONSTRUINDO NO ESPAÇO ESCOLAR

Quando a criança entra na escola de educação infantil um novo mundo é descoberto. A novidade permeia os seus passos: o prédio da escola; os funcionários; os professores; as crianças; os brinquedos; as regras; a disciplina de horários para as atividades; as refeições nas horas certas; o sono; as disputas por espaços, brinquedos e atenção dos professores. 
É uma passagem radical da família, em que ocupa a posição central, para a escola, lugar de muita gente, muitas novidades e pouca exclusividade.
A maneira como a criança se vê e é vista pelas outras crianças e professores, influencia na formação de sua personalidade e autoestima.
A construção da identidade e autonomia da criança é fundamental para a conquista de sua independência, de ir e vir, pedir, expressar sentimentos e necessidades, cuidar do corpo, conquistar, defender-se, tomar decisões por si própria, levando em conta regras, valores, a sua perspectiva pessoal, bem como a do outro.
A identidade da criança é construída pelo reconhecimento de sua diferenciação em relação aos outros. Ao nascerem, as crianças não diferenciam o seu próprio corpo e os limites de seus desejos. Podem ficar frustradas quando as pessoas não agem conforme os seus desejos. 
O afeto e a atenção contribuem para o desenvolvimento pessoal da criança, ajudando-a a perceber o seu próprio corpo como separado do outro, a utilizar os seus recursos para satisfazer as suas necessidades, interessar-se pelo cuidado com o próprio corpo, brincar e demonstrar suas necessidades e interesses.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014


Padrões Recomendados de Relação do Número de Crianças por Adulto na Educação Infantil – Creche e Pré-Escola



Idade
Tamanho máximo do grupo
Relação do nº criança X adulto
0 a 2a
6
3:1
2a a 2a e 6m
8
4:1
2a e 6m a 3a
10
5:1
3a
14
7:1
4a a 6a
16
8:1






            





Fonte:  American Public Health Association e American Academy of Pediatrics



Idade
Tamanho máximo do grupo
Relação do nº criança X adulto
0 a 1a
15
5:1
1a a 2a
15
10:1
2a a 3a
15
10:1

        





Fonte: Portaria nº 321 da ANVISA, de 26 de maio de 1988



Idade
Tamanho máximo do grupo
Relação do nº criança X professor
0 a 2a
Tamanho da sala
6 a 8:1
3a
Tamanho da sala
15:1
4a
Tamanho da sala
20:1










Fonte: Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil. MEC, 2006.
Segundo os Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação Infantil (MEC,2006), a área mínima da sala deve contemplar 1,50 m² por criança.



FAIXA ETÁRIA
QUANTIDADE DE CRIANÇAS POR PROFESSOR
0 A 1 ANO
6
1 A 2 ANOS
8
2 A 3 ANOS
10
3 ANOS
15
4 A 5 ANOS
20
Fonte:  Lei Complementar nº 06, de 25 de abril de 2011. Estatuto e Plano de Carreira do Magistério Público Municipal de Assis - SP

domingo, 24 de novembro de 2013

DESENVOLVIMENTO DO GRAFISMO/DESENHO
            O desenho na primeira infância é uma linguagem carregada de significado que revela os sentimentos e a identidade de seu autor. Não é uma ação casual ou mera recreação.
            O termo linguagem no contexto escolar está sempre ligado à comunicação oral e escrita como parte integrante do processo de alfabetização, valorizando a dimensão cognitiva como única ou mais importante no desenvolvimento da criança.
           As diversas linguagens estão ligadas às dimensões humanas: afetiva, cognitiva, artística, sexual, lúdica, etc.
           O desenho é uma forma de expressão do universo interior infantil, cheio de criatividade e imaginação, e um exercício de formação da identidade social e cultural da criança.
           O desenho é a forma de raciocinar sobre o papel (Saul Steimberg). Não reproduz as coisas que vemos mas traduz a visão que se tem delas.
            Quando risca o papel a criança tem a satisfação de deixar a sua marca.
            O desenvolvimento do grafismo é a revelação da natureza emocional e psíquica da criança, através dos traços e sinais que revelam suas idéias, suas vontades e suas fantasias.
             Estágio Sensório-Motor  - Rabiscação -  0 a 2 anos
             Ao final dos primeiros 12 meses, a criança já é capaz de, ocasionalmente, manter ritmos regulares e produzir os primeiros traços gráficos, que são mais movimentos do que representações de suas experiências pessoais ou relação com a natureza, motivação interna ou externa.
            Ainda não sabe a função do lápis. Ao pegá-lo, pode colocá-lo na boca (reflexo de sucção – leva tudo à boca), batê-lo, até que por acaso ou por estímulo do adulto, risca um papel.
            Passa, então, a se interessar pelo lápis, faz um furo no papel, produz pontos e rabiscos.    É a fase da descoberta, que é seguida por uma seqüência de comportamentos que, além de revelarem o nível de desenvolvimento do grafismo, demonstram os ganhos na estruturação do pensamento, sem necessariamente estarem vinculados a uma determinada faixa etária.
             A seqüência pode ser descrita da seguinte forma:  
 Garatuja (rabiscos; desenhos; rabiscação descontínua, desordenada).
            Fase desordenada.
             As garatujas desordenadas são aquelas em que os traços são fortuitos e a criança não se apercebe que de que poderia representar qualquer coisa com eles. Muitas vezes a criança nem olha para o que está rabiscando. Os movimentos são amplos e não respeitam os limites do papel.
            Ausência de controle de movimentos. Uso da cor pelo simples prazer de experimentá-la.
            São apenas reflexos do desenvolvimento físico e psicológico da criança e sem intenção de representar alguma coisa. 
            A figura humana não aparece e o espaço não é totalmente utilizado. Ainda muito próxima da rabiscação, seus desenhos variam muito: ora fracos e concentrados, ora fortes e dispersos pelo papel.
            Embora pareça um trabalho sem sentido, deve ser estimulado pelo adulto porque a criança tem prazer na manipulação do instrumento. Para ela é atividade lúdica que, mesmo não comunicando qualquer pensamento, é alicerce da atividade gráfica futura.
            Na garatuja, a criança tem como hipótese que o desenho é simplesmente uma ação sobre uma superfície, e ela sente prazer em verificar o seu resultado.
Garatuja controlada (rabiscação contínua)
Fase Longitudinal
             Os rabiscos seguem o limite do papel.
             Aparecem aproximadamente ao dois anos de idade.
             A criança percebe que há uma ligação entre os seus movimentos e os traços que faz. As linhas agora são repetidas. Indo e vindo. A criança poderá passar horas garatujando. Ficará fascinada com essa atividade que certamente estenderá para paredes, móveis e piso.
             Os movimentos são repetidos em várias direções, principalmente na vertical e na horizontal. Há o estabelecimento da coordenação entre a atividade visual e a motora. Existe o controle dos movimentos. A cor ainda é usada inconscientemente. O espaço é utilizado somente de base sinestésica, muitas vezes não saem de um mesmo lugar, outras vezes riscam a folha inteira, misturando tudo que já experimentaram. 
            Nessa fase, a rabiscação é tão natural quanto brincar e ela adora fazê-la. A criança ainda não tem intenção de expressar seu pensamento, mas descobre a relação entre os movimentos e os traços que executa no papel, experimentando grande satisfação proveniente da sensação sinestésica e do seu domínio sobre os objetos.
            As linhas podem se repetir, os traços são maiores e mais contínuos – esse controle é reflexo do seu desenvolvimento motor e do domínio que adquire sobre o ambiente que a rodeia.
            A criança já mostra maior constância na direção e posição dos rabiscos, podendo até escolher uma localização pessoal, isto é, rabisca sempre determinado ponto (no alto, no centro, à direita, à esquerda, etc.).
            Com o decorrer do tempo, as garatujas, que refletiam o prolongamento de  movimentos rítmicos de ir e vir, transformam-se em formas definidas que apresentam maior ordenação, e podem estar se referindo a objetos naturais, objetos imaginários e ou mesmo a outros desenhos.
            No final desta fase, há a evolução para uma etapa muito importante que é a “célula”.
           Fase Circular
            As linhas que se fecham e aparece a forma fechada. Ao registro da “célula” pode ir aos poucos adicionando outro tipos de linhas.
            Ocorre a auto-afirmação do controle através de desvios do tipo de movimento, com o treino aparecem ensaios repetidos de pequenas células ou pequenos círculos sem ainda intenção, significado ou expressão. É a exploração do movimento circular feito com todo o braço, que varia do tamanho de um pequeno ponto até o círculo que ocupa a folha toda. A cor ainda é utilizada com base emocional.
            Ainda não há intencionalidade de expressão ou planejamento, isto é, a criança não faz prévia associação entre significante e significado, mas pode interpretar as formas que consegue desenhar. O significado do desenho muda conforme a vontade do leitor. A criança pode interpretar sua célula como um sol, depois, essa mesma célula pode ser uma pessoa, um balão, etc. O fato de nomear (dar atributos às formas) mostra que a criança tem potencial como leitor-escritor.
    Garatuja com nome
Fase Controlada
      Os rabiscos ganham nome: papai, nenê, mamãe.
            Ocorre normalmente após os três anos e meio, como decorrência da evolução do pensamento sinestésico para o pensamento imaginativo, o que quer dizer que já desenha com intenção (planeja, pensa, lembra, faz ou tenta fazer).
            Mistura de movimentos com freqüentes interrupções.
            Passa a dedicar cada vez mais tempo na elaboração do desenho e já distribui melhor o desenho por toda a folha.
            O desenho deixa de ser simples expressão motora e começa a representar coisas de sua realidade, em geral figuras humanas. É quando afirma ao mostrar “Essa é a mamãe” ou “Aqui sou eu pulando”.
            Inicia o registro do que tem maior conhecimento – cabeça e membros: das células saem radiais interpretados como braços/pernas. No interior das células aparecem pontos indicando possivelmente olhos, boca, narizes... Aos poucos vai acrescentando outros componentes; o tronco só vem depois.
            A cor é usada para distinguir diferentes significados da garatuja.
            Na maioria das vezes, a criança faz descrição verbal do que está criando e esta “conversa” mais parece uma comunicação consigo mesma.
             Fase Intencional
             O fato de ter intencionalidade e a capacidade de descrever verbalmente o que está desenhando devem ser explorados ao máximo, pois consistem na porta de entrada para o desenvolvimento pleno de todos os seus dotes, talentos e também para sua felicidade presente, porque para a criança o desenho é sempre prazeroso.
            Aparecem nos desenhos outros elementos além da figura humana, quase compondo uma cena, ainda rudimentar. Enquanto desenha, a criança fala e conta histórias, explicando seus rabiscos de diversas maneiras. A figura humana é mais completa com cabeça, tronco e membros definidos com pés e mãos.
            No final desta fase  a criança começará a misturar aos seus desenhos uma escrita fictícia, traçada e forma de serras ou pequenos elementos parecidos com os nossos signos.
             Estágio Pré-Esquemático – 4 a 6 anos
             Boneco girino
            Tem inicio o desenho da figura humana, com braços e pernas que saem da cabeça. Mais adiante, os membros saem do corpo.
            Exagero
            Não há proporção, nem perspectiva. As figuras são grandes ou pequenas demais.
             Omissão
            Faltam partes do corpo ou do rosto ou do rosto. Um braço pode ser mais comprido que o outro.
             Justaposição
            As figuras são misturadas na folha, sem linha de base (chão e céu). Não há organização espacial. O sol pode surgir na parte debaixo.
            Descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. A criança começa a representar coisas de sua realidade e a exprimir sua fantasia, desenhando vários objetos ou o que imagina deles. A ação é voltada para resultados concretos, maior poder de concentração e intensa formação de conceitos.
           Desenho Espontâneo 
            A criança tem a oportunidade de fazer o traçado sob o comando de sua inteligência, seguindo uma imagem visual incorporada e retida pela mente, utilizando a imaginação e a criação lúdica.
Ø  Exercita os músculos através da realização de movimentos cada vez mais precisos e coordenados.
Ø  Desenvolve sentimentos de auto-afirmação, segurança e satisfação pessoal.
            Pode ser feito:
            Com estímulo:
            Vamos desenhar? O que você quer desenhar?
             Sem estímulo:
            Vamos desenhar o que nós vimos no passeio.
            Vocês se lembram da história dos três porquinhos? Vamos fazer um desenho da história? Como era o porquinho?
 Desenho Dirigido ou com Interferência
             Atividade de ligar pontos, cobrir, marcar, colar sobre linhas definidas, cobrir, colorir desenhos impressos, completar desenhos, etc.
 Pintura a Dedo
            Atividade altamente sensibilizadora e estimulante dos movimentos.
            O contato direto com a tinta e o papel acalma as crianças.
            De preferência, a criança deve estar em pé, pois facilita os movimentos.
            Deve ser desenvolvida em local próximo a uma pia, balde ou bacia para a higiene das mãos.
Pintura com Pincel
            Pode ser com ou sem estímulo visual.
            A tinta guache deve estar bem grossa ou espessa, misturada com um pouco de cola para dar maior consistência e rapidez na secagem.
            Os pincéis devem ser do tipo “chato” e “redondo”.
            Pode ser executada no plano horizontal ou vertical. Nos dois planos, deve-se dar preferência à criança pintar em pé pela maior facilidade movimentos.
O que Fazer com as Produções das Crianças?
            Podem ser ficar expostas durante certos períodos em varais, paredes e biombos localizados no espaço interno da escola, para serem apreciadas pelos pais, educadores, e principalmente pelas crianças que poderão acompanhar a evolução e o montante do seu trabalho. Após a exposição em pastas, poderão ser arquivadas em pastas individuais.
            As crianças podem levá-las para servirem de enfeite em suas casas.
            A participação em exposições para dar destaque ao trabalho artístico infantil aumenta a auto-estima das crianças, educadores e familiares.
Avaliação  
            A avaliação deve ser sempre processual e ter um caráter de análise e reflexão sobre as produções das crianças. Para as crianças, deve explicitar suas conquistas e as etapas do seu processo criativo; para o professor, deve fornecer informações sobre a adequação de sua prática para que possa estruturá-la com mais segurança.
            O desenho infantil traduz o grau de maturidade da criança, seu equilíbrio emocional e afetivo, seu estágio de desenvolvimento motor e cognitivo. Pode expressar também sensações e sentimentos que a criança não conseguiria mostrar de outra forma. Observando com atenção as linhas do desenho infantil, é possível descobrir atrasos no ritmo de desenvolvimento, excesso de timidez ou mesmo dificuldades de relacionamento familiar.
            Quando  a criança consegue evoluir das linhas retas para a bolinha é sinal de que está concluindo o maternal. Coincidentemente, o fechamento do círculo no papel simboliza o fechamento do ciclo básico do desenvolvimento, importante tanto para a estruturação como indivíduo quanto para formar a competência para a escrita.
 José Helio da Silva                                     
 FONTE:
 ASSIS (Município). Secretaria Municipal da Educação. Desenvolvimento do Grafismo/Desenho.
 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Coordenação Geral de Educação Infantil. Referencial Curricular para a Educação Infantil, v. 3. Brasília, 1998.
 DEHEINZELIN, Monique. Como as Crianças Pintam? Revista Criança, MEC/SEF, Brasil, n. 35, p.22-25, dez. 2001.
 REVISTA NOVA ESCOLA. Pequenos Artistas. Tatiana Achcar. Edição 192. maio.2006.
 RIZZO, Gilda. Educação Pré-escolar.



terça-feira, 13 de agosto de 2013





Perfil do Educador Infantil 


 
Maria Malta Campos, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e professora da PUC de São Paulo analisa a formação e a identidade dos educadores que trabalham com crianças pequenas, na faixa de 0 a 5 anos, suas práticas e formas de relacionamento.
Fala também sobre a importância da realização de concursos públicos específicos para cada etapa da educação básica, creche, pré-escola e ensino fundamental.
Fonte: :http://www.univesp.tv.br/site/program.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Currículo da Educação Infantil

CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL



O currículo da educação infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, e a formação de habilidades para a aquisição de autonomia, de forma a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos idade.

A proposta curricular deve ser concebida a partir de integração de experiências que:

I - promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança;

II - favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical;

III - possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos;

IV - recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quantitativas, medidas, formas e orientações espaço-temporais;

V - ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades individuais e coletivas;

VI - possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar;

VII - possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais, que alarguem seus padrões de referência e de identidades no diálogo e reconhecimento da diversidade;

VIII - incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza;

IX - promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura;

X - promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não desperdício dos recursos naturais;

XI - propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifestações e tradições culturais brasileiras;

XII - possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos.
As relações sociais entre crianças e educadores e a articulação dos saberes das crianças com o conhecimento social e histórico, vivenciadas no cotidiano escolar, devem considerar a integralidade e indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural das crianças.

A organização do currículo na educação infantil compreende dois âmbitos:

I - formação pessoal e pessoal
a) Identidade e autonomia (autoestima; escolha; faz de conta; interação; imagem; cuidados; segurança; nome; independência e autonomia; respeito à diversidade e identidade de gênero);

II – conhecimento de mundo
g) movimento;

h) artes visuais;

i) música;

j) linguagem oral e escrita;

k) natureza e sociedade;

l) pensamento lógico-matemático.

São consideradas atividades permanentes da organização da rotina escolar:

I – recepção das crianças;

II – alimentação;

III – rodas de conversa;

IV – brincadeiras no espaço interno e externo;

V – rodas de história;

VI – higiene e cuidados com o corpo;

VII – sono;

VIII – atividades de música;

IX – oficina de desenho, pintura, recorte e modelagem;

X – atividades diversificadas com materiais e brinquedos de livre escolha;

XI – entrega das crianças para os pais e/ou responsáveis;

XII – organização da sala.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

O risco da creche de má qualidade


O RISCO DA CRECHE DE MÁ QUALIDADE

 

Nem sempre as crianças que frequentaram Creches terão resultados Escolares melhores no futuro do que aquelas que não tiveram esta oportunidade. Se a Creche não for de qualidade, o desempenho dos estudantes pode ser, inclusive, pior do que o alcançado por Alunos que não frequentaram essas unidades. A conclusão é de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Organização das Nações Unidas (ONU).
Especialistas analisaram as notas de matemática de crianças da 4ª série que participaram do Sistema de Avaliação de Educação básica (Saeb), em 2005, levando em consideração também a Escolaridade das mães. O objetivo era saber se ir à Creche trazia resultados positivos para as crianças.

 

Eles perceberam que, entre os filhos de mães com baixa Escolaridade, os que frequentaram Creches tiveram resultado pior no Saeb do que os que não frequentaram. O impacto positivo nas notas dos Alunos só ocorreu nos casos em que as mães das crianças estudaram pelo menos até os últimos anos do Ensino fundamental.

 

Segundo Daniel Santos, Professor de Economia da USP e um dos autores da pesquisa, uma das principais hipóteses para explicar o resultado é a baixa qualidade das Creches escolhidas por mães com menor Escolaridade.
- Acredito que a criança estimulada desde bem pequena tem resultado melhor. A questão é saber se a criança foi realmente estimulada. Muitas vezes, as Creches são depósitos delas, não estão prontas para estimular as crianças - afirma Santos.

 

De acordo com o especialista, a preocupação com o estímulo ao aprendizado nas Creches é recente, pois somente em 2006 elas passaram a integrar o sistema educacional. Antes, segundo ele, as instituições faziam parte da estrutura de assistência social e serviam apenas para alimentar, garantir a saúde das crianças e permitir que as mães pudessem trabalhar.
- Estamos num momento de transição. Grande parte das Creches ainda está no modelo antigo. Talvez a maioria delas ainda não dê estímulo às crianças. E o problema é que a chance de uma criança ir para uma Creche assim, sem estímulo, é maior entre os filhos de mães analfabetas. O mecanismo que deveria ser corretor de desigualdade acaba não sendo - diz Santos.


Na Inglaterra, um estudo de pesquisadores da Universidade de Londres e de Oxford chegou a resultados semelhantes. Os autores acompanharam um grupo de 3.000 estudantes, desde sua entrada na Pré-Escola até os 11 anos de idade. Eles também avaliaram 141 Pré-Escolas britânicas, e, após observações in loco , dividiram os estudantes entre aqueles que tiveram acesso a uma Pré-Escola de qualidade e os que não tiveram essa sorte. A conclusão foi que a qualidade da Pré-Escola era um forte indício do desempenho Escolar e comportamental dos estudantes. Mais importante: crianças que frequentaram Pré-Escolas de baixa qualidade não apresentavam ganho algum, se comparadas àquelas que sequer chegaram a frequentar Escolas na primeira infância.

 

Segundo a ONG Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o gasto com Creche no Brasil é menor do que o recomendado para que elas atendam a requisitos mínimos de qualidade. Dados aferidos em 2012 pela organização comprovam que uma Creche de período integral deve investir, por ano, R$ 8.804 por Aluno matriculado, para oferecer profissionais qualificados, espaço físico e materiais apropriados. No entanto, os gastos com Creche e Pré-Escolas informados pelo governo brasileiro à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi de US$ 1.696 (ou R$ 3.475, segundo a cotação atual). O valor deixa o país na terceira pior posição num ranking de 34 países.

 

De acordo com o Ministério da Educação, o valor mínimo que deveria ser investido por Aluno, em 2013, é de R$ 2.221,73. - O Brasil não percebe o quão importante é a Educação infantil, e investe pouco. O direito à Educação só é pleno quando alia acesso à qualidade. O direito à Creche, que envolve o direito à Educação da criança e o direito da família ao trabalho, por exemplo, é um elemento-chave para a qualidade de vida - disse Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.


Na opinião de Patrícia Mota Guedes, especialista em gestão educacional da Fundação Itaú Social, é preciso investir em qualificação e formação de profissionais que trabalham nas Creches, que, muitas vezes, não têm a Escolaridade indicada. Ela acrescenta que orientar o pais também é importante. - Para pais de mais baixa Escolaridade e em situação mais vulnerável, é difícil fazer escolhas sobre a Creche e avaliar a qualidade do serviço a que eles têm acesso. Pais menos Escolarizados muitas vezes acham que, se a Creche cuida da criança e a mantém saudável, isso significa que há qualidade - analisa Patrícia.

 

No Rio, a prefeitura tem construído Creches mais bem equipadas e com proposta de trabalho mais bem definida para crianças de regiões mais pobres e mais violentas na cidade. No final de 2009, começaram a ser construídos os Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI), que são mais amplos, têm melhor estrutura para atendimento e mais livros para crianças de 6 meses a 5 anos de idade. A fim de estimular mais os pequenos, os berços deram lugar a pisos onde eles podem dormir, brincar e aprender por meio de atividades lúdicas. A capital tem hoje 108 EDIs, com cerca de 150 Alunos, em média. A meta é construir outras 31 unidades até o fim do ano. - Além disso, passamos a orientar os Educadores a fazerem uma reserva de tempo para desenvolver atividades como ler histórias, folhear livrinhos e trabalhar com materiais com formas geométricas, por exemplo. Tem que haver essa reserva, senão o risco é que se gaste o tempo todo cuidando do bebê sem colocar o ato de educar junto - explica a secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin.

 

http://oglobo.globo.com/
Fonte: O Globo (RJ)